O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, fez um alerta sobre as possíveis consequências da decisão dos Estados Unidos de classificar facções criminosas brasileiras como organizações terroristas. Segundo o chefe da diplomacia brasileira, a medida abre caminho para riscos que vão além do combate ao crime e tocam diretamente na soberania do país.
A manifestação está registrada em um documento que responde a um pedido de informações do deputado Evair de Mello, do Republicanos. O parlamentar havia solicitado esclarecimentos sobre o tema, e a resposta do ministério detalha a leitura do governo brasileiro a respeito da classificação feita pelo lado americano e de seus possíveis desdobramentos.
O contexto é a decisão tomada pelo governo dos Estados Unidos no mês passado, quando classificou o PCC e o Comando Vermelho, duas das principais facções criminosas do Brasil, como organizações terroristas. A medida americana passou a ser vista em Brasília como algo que ultrapassa o campo da segurança e ganha contornos diplomáticos delicados.
No documento, Mauro Vieira afirma que a classificação poderia ser invocada como justificativa para ações extraterritoriais sobre instituições brasileiras. De acordo com o ministro, esse risco se manifestaria em particular no âmbito financeiro, migratório e penal, áreas em que decisões tomadas fora do país poderiam ter efeitos diretos sobre estruturas e cidadãos brasileiros.
O alerta mais grave, porém, diz respeito à possibilidade de uso da força. Ainda segundo Vieira, existe o risco de que a medida sirva de base para o emprego da força militar dos Estados Unidos contra o território nacional, uma hipótese que eleva de forma significativa o tom da preocupação expressa pela diplomacia brasileira.
O ministro afirmou ainda que a classificação não vai trazer benefícios e destacou que o Brasil tem se colocado contra a medida. Com esse posicionamento, o Itamaraty reforça a resistência do governo brasileiro à decisão americana e sinaliza que pretende continuar contestando os efeitos de tratar as facções como organizações terroristas no plano internacional.
