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Câmara retoma debate sobre redução da maioridade penal para 16 anos

Câmara retoma debate sobre redução da maioridade penal para 16 anos

A Câmara dos Deputados retomou a discussão de uma proposta que reduz a maioridade penal. Pelo texto, quem tem mais de 16 anos passaria a responder criminalmente e a cumprir pena no sistema prisional comum, em vez das atuais medidas socioeducativas. A sessão foi agitada, deputados governistas alegam que o tema é cláusula pétrea, e a discussão deve voltar amanhã.

A Câmara dos Deputados retomou nesta terça-feira a discussão sobre a redução da maioridade penal, um assunto que historicamente divide opiniões e provoca forte polêmica no país. Como era de se esperar diante da sensibilidade do tema, a sessão foi bastante movimentada e agitada. O debate volta a colocar no centro da pauta uma das questões mais controversas da política criminal brasileira.

O ponto central da proposta está na idade de responsabilização. A proposta de emenda à Constituição estabelece que quem tem mais de 16 anos terá que responder criminalmente por seus atos. Além disso, esses jovens passariam a cumprir pena no sistema prisional comum, o que representa uma mudança significativa em relação à forma como esses casos são tratados atualmente.

Hoje, a lógica é diferente. Atualmente, quem é menor de 18 anos é punido com medidas socioeducativas, e não com pena de prisão comum. Nesse modelo, a internação tem duração máxima de três anos, ainda que a infração seja grave. A PEC em discussão buscaria justamente alterar esse sistema para os adolescentes a partir dos 16 anos.

O caminho legislativo da proposta ainda é longo. Caso o tema seja aprovado nesta fase, seria criada uma comissão especial para analisar o texto antes que o assunto fosse efetivamente colocado em votação no plenário. Ou seja, mesmo com a retomada da discussão, há etapas que precisam ser cumpridas até que a medida possa, de fato, ser votada pelos deputados.

A oposição ao texto encontra um argumento jurídico de peso entre os governistas. Deputados governistas afirmam que a idade de 18 anos para o cumprimento de pena no sistema comum é uma cláusula pétrea. Isso significaria que se trata de um ponto que não poderia ser alterado nem mesmo por meio de uma proposta de emenda à Constituição, o que coloca em xeque a própria viabilidade da mudança.

A relatoria da proposta também ganhou destaque. A PEC teve como relator o deputado Coronel Assis, do PL de Mato Grosso. Em seu trabalho, ele retirou do texto os trechos que tornariam obrigatório o voto a partir dos 16 anos de idade, ajustando o conteúdo da proposta e concentrando a discussão na questão da responsabilização penal dos adolescentes.

O andamento dos trabalhos, porém, foi afetado pela própria dinâmica da Casa. A apreciação do tema na comissão teve que ser paralisada porque a sessão do plenário da Câmara começou, o que interrompeu a tramitação naquele momento. A discussão ficou marcada para voltar na manhã seguinte, a partir das dez horas, mantendo o assunto em aberto e sob forte expectativa.

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