Uma das aves mais belas da fauna brasileira voltou a um lugar de onde havia desaparecido há cerca de 200 anos. A arara-vermelha-grande está de volta ao litoral, na Mata Atlântica do sul da Bahia, onde voltou a voar, brincar e se reproduzir livre na natureza, em um retorno descrito como simbólico para a região.
Grandes e formosas, essas araras chegaram a ser extintas na Mata Atlântica. A destruição do habitat e a ação de viveiros ilegais colaboraram para o sumiço dessas aves na região. A espécie ainda ocorre principalmente na Amazônia e no Pantanal, mas havia desaparecido completamente do bioma da Mata Atlântica.
O retorno é fruto de um projeto de reintrodução. Araras de diversos estados do Brasil são trazidas para o projeto, onde passam por um processo de readaptação. O trabalho inclui a dessocialização com seres humanos e a reaproximação com indivíduos da mesma espécie, para que as aves possam recuperar comportamentos próprios da vida selvagem.
Antes de voltarem à natureza, as araras passam por um período de treinamento em um recinto, que dura em média 15 meses. Nesse espaço, os tratadores colocam os frutos soltos, justamente para que as aves aprendam a procurar o alimento da mesma forma que precisarão fazer quando estiverem livres no ambiente natural.
Em 2024, as portas do recinto foram abertas para 35 araras. As imagens registraram a primeira ave que se arriscou a bater asas, acompanhada pela algazarra das outras no momento em que ela voou. Foi o início concreto da volta da espécie ao litoral, depois de dois séculos de ausência.
A arara-vermelha-grande costuma viver a vida inteira com o mesmo parceiro, e a maioria das aves soltas formou casais. Para apoiar a reprodução, caixas que servem de ninho foram colocadas em árvores próximas, oferecendo abrigo aos animais que passaram a se sentir confiantes no novo ambiente.
Foi em uma dessas caixas que nasceram os primeiros filhotes dessa nova era. Um casal com dois filhotes já vive solto na mata, sinal de que a reintrodução começou a dar resultados concretos. O nascimento de novas crias indica que a espécie pode, aos poucos, voltar a se estabelecer de forma permanente na Mata Atlântica.
