Uma operação de emergência foi montada para salvar um dos símbolos da fauna brasileira ameaçada de extinção. Em maio de 2026, 69 ararinhas azuis foram resgatadas de um criadouro em uma ação que contou com o apoio da Polícia Federal. O objetivo era conter um surto de circovírus que já havia contaminado 34 das aves no local.
As ararinhas do criadouro haviam sido repatriadas de outros países, e a principal suspeita é de que o vírus tenha chegado com uma delas. Segundo os envolvidos, na última remessa de aves enviada ao Brasil, vinda da Alemanha, um dos indivíduos que estava prestes a embarcar testou positivo para o circovírus ainda em território alemão, o que reforçou o alerta sobre a doença.
Com plumagem azul vibrante e cauda longa, a ararinha azul é nativa da caatinga brasileira e considerada uma das aves mais raras do planeta. Existem cerca de 300 exemplares no mundo, mas nenhum vive livremente na natureza. O último exemplar selvagem desapareceu no norte da Bahia há 26 anos, e as aves que existem hoje estão sob cuidados humanos em criadouros.
O circovírus representa um novo perigo para a espécie. Ele é transmitido pelo contato direto entre as aves, por secreções e por objetos contaminados, e a infecção não tem cura. A doença provoca deformação e queda das penas, além de enfraquecer o sistema imunológico, deixando os animais sensíveis a outras infecções que podem levar à morte.
Antes do trabalho meticuloso de identificação das ameaças, o circovírus já havia sido apontado como um dos principais riscos para a sobrevivência das ararinhas. Diante do avanço da contaminação, ararinhas que já haviam sido soltas na caatinga pelo projeto de reintrodução foram recolhidas, para evitar que o vírus se espalhasse entre os exemplares saudáveis.
Embora a reintrodução da espécie aconteça no norte da Bahia, São Paulo tem um papel importante na conservação das ararinhas azuis. No Zoológico de São Paulo funciona o Centro de Conservação das Ararinhas Azuis, onde vivem 27 aves. Esse número representa quase 10% de todas as ararinhas azuis existentes no mundo.
O resgate das 69 aves e a retirada dos exemplares contaminados fazem parte de um esforço para impedir que o circovírus comprometa anos de trabalho de preservação. Para os especialistas, a sobrevivência da ararinha azul depende tanto do controle de doenças nos criadouros quanto da continuidade dos projetos que pretendem, um dia, devolver a espécie de forma definitiva à natureza.
