Passava das 11 da noite quando uma equipe da Guarda Civil Municipal foi chamada para uma missão diferente em Salvador, a de proteger um ninho de tartarugas marinhas na faixa de areia. Os agentes recolheram com muito cuidado 113 ovos de tartaruga oliva, que é a menor espécie que desova no litoral brasileiro. O material foi levado em seguida para uma base do Projeto Tamar.
A ação aconteceu no momento em que termina, agora em junho, a temporada de desova das tartarugas marinhas. A reportagem destaca que, apesar de a natureza ter o seu próprio ciclo, às vezes é preciso de uma ajuda humana na preservação de uma nova geração desses animais. A expectativa é que, na base do projeto, os ovos consigam terminar o período de incubação em segurança.
O Projeto Tamar é apresentado como uma referência na conservação e no manejo de tartarugas marinhas no país. Foi justamente para uma de suas bases que os 113 ovos recolhidos na praia de Salvador foram encaminhados, em uma tentativa de garantir que a ninhada tivesse mais chances de sobreviver longe dos riscos a que estava exposta na faixa de areia.
Depois que os ovos são postos na areia, os filhotes levam, em média, dois meses para nascer. Quando chega a hora, eles deixam os ninhos e seguem em direção ao mar, em áreas escolhidas para ter mais segurança nessa primeira e arriscada jornada de vida, um dos momentos mais delicados para a sobrevivência da espécie.
Os números mostram a dimensão do trabalho de conservação. Somente neste ano, quase 30 mil filhotes nasceram no litoral brasileiro, segundo dados do Projeto Tamar. A desova é feita principalmente à noite, o que ajuda a explicar por que ações de proteção, como a registrada em Salvador, muitas vezes acontecem na madrugada.
O alcance do monitoramento também é amplo. O Projeto Tamar acompanha mais de 1.100 quilômetros de praias em áreas de desova, trechos do litoral frequentados por cinco espécies de tartarugas marinhas. Na última temporada, mais de 38 mil ninhos foram acompanhados pelas equipes do projeto ao longo dessas regiões.
Para ajudar na preservação, especialistas orientam que as pessoas não toquem nos ovos nem nos filhotes e mantenham animais domésticos longe dos ninhos. Recomendam ainda que se evite o uso de luzes fortes nas praias durante a noite, já que a iluminação pode desorientar os filhotes no momento em que tentam chegar ao mar.
