A Comissão Nacional de Energia Nuclear, a CNEN, confirmou a ocorrência de um incidente com material radioativo no Ipen, em São Paulo. Apesar do susto que esse tipo de evento costuma provocar, o órgão informou que as pessoas que estavam no local passaram por exames e que os resultados indicaram que não houve contaminação interna em nenhuma delas. A confirmação buscou esclarecer um episódio que envolveu o manuseio de material radioativo dentro do instituto.
O ocorrido foi detalhado pelo gerente da radiofarmácia do Ipen e membro da comissão de energia do Conselho Regional de Química de São Paulo, Carlos Alberto Zeituni. Ele explicou como aconteceu a contaminação e procurou tranquilizar a população quanto aos riscos, deixando claro que o problema foi identificado e tratado dentro dos procedimentos de segurança do instituto.
Segundo o responsável, durante o processo de manuseio do material, provavelmente algumas gotas acabaram caindo no chão. Infelizmente, o técnico não percebeu o ocorrido naquele momento, e esse material acabou contaminando o piso do local. Ele ressaltou que, embora a contaminação não fosse desejada, todo o episódio aconteceu dentro de um ambiente totalmente controlado, preparado justamente para lidar com esse tipo de substância.
O problema só foi notado de forma mais clara na segunda-feira da semana seguinte, quando os técnicos perceberam que ainda havia uma contaminação residual de molibdênio com tecnécio no ambiente. A partir dessa constatação, a equipe procedeu a toda a descontaminação necessária para garantir que o material radioativo fosse devidamente removido e que o espaço voltasse às condições adequadas de operação.
De acordo com o gerente, por se tratar de um evento totalmente interno, o caso passou a integrar o relatório de ocorrências internas da instalação número 4 do instituto. Ele explicou que, justamente por ser um procedimento interno que não ofereceu risco algum nem para o público nem para os operadores, o episódio acabou não sendo comunicado de imediato à CNEN, seguindo o entendimento de que se tratava de uma situação controlada.
Para descartar qualquer consequência à saúde, os dois técnicos envolvidos foram submetidos a uma medida chamada de contagem de corpo inteiro. Nesse exame, eles passam por um equipamento que mede internamente o organismo para verificar se houve alguma contaminação dentro do corpo. O resultado foi positivo no sentido de segurança, já que nenhum dos dois apresentou contaminação interna ou qualquer problema decorrente do incidente.
