O Ministério Público Federal quer criar um sistema único para monitorar a contaminação por mercúrio na Amazônia. Segundo o relato, a ideia é identificar mais casos, reduzir a subnotificação e ajudar a criar políticas públicas para proteger a população, num esforço para dimensionar de forma mais precisa um problema que há anos ronda as comunidades ribeirinhas e os rios da região.
A proposta parte da constatação de que os números oficiais estão muito abaixo da realidade. De acordo com o relato, foi verificado que apenas 668 casos de contaminação por mercúrio foram notificados em todo o Brasil ao longo de 16 anos, um total considerado baixo diante da dimensão da exposição, especialmente em áreas onde a presença da substância é frequente.
A distorção fica ainda mais evidente quando se olha para a Amazônia. Segundo o relato, a região apresenta apenas 15% dos casos registrados, um percentual que, na avaliação dos responsáveis pela proposta, não corresponde ao tamanho do problema local e reforça a suspeita de que muitas pessoas contaminadas simplesmente não entram nas estatísticas oficiais.
Para enfrentar essa lacuna, o Ministério Público Federal quer criar o Sistema Nacional de Monitoramento da Contaminação por Mercúrio, com ênfase nos rios da Amazônia. De acordo com o relato, a proposta prevê um projeto para mapear o número de pessoas contaminadas na região, dando uma base de dados mais confiável para orientar as ações de saúde e fiscalização.
A identificação da contaminação, segundo o relato, pode ser feita de maneira relativamente simples. Uma mecha de cabelo é suficiente para que os pesquisadores identifiquem a quantidade de mercúrio no corpo humano, e a coleta de dados pode acontecer por diferentes matrizes, como sangue, urina e cabelo, sendo o cabelo apontado como a melhor forma de reunir essas informações.
O tipo de exposição também ajuda a explicar por que muitos casos passam despercebidos. De acordo com o relato, trata-se de uma exposição crônica, marcada por pequenas quantidades absorvidas ao longo dos anos, um processo silencioso que dificulta o diagnóstico imediato e que só ganha contornos claros quando os dados são reunidos e analisados de forma sistemática.
Na origem do problema está o garimpo ilegal, apontado como um dos maiores responsáveis pela contaminação por mercúrio no Brasil. Segundo o relato, sem fiscalização ou qualquer tipo de controle, a substância usada pelos garimpeiros clandestinos para separar o ouro da terra ou da água polui o ar, o solo e os rios, e é altamente volátil, dispersando-se pela atmosfera num raio de mais de 500 quilômetros e retornando com as chuvas, o que acaba contaminando as águas e os peixes.
