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Cientistas brasileiros identificam no cérebro um gatilho da pressão alta e apontam caminho para novo tratamento

Cientistas brasileiros identificam no cérebro um gatilho da pressão alta e apontam caminho para novo tratamento

Pesquisadores da USP, em parceria com colegas da Nova Zelândia, identificaram uma região do tronco encefálico que parece impulsionar o aumento da pressão arterial, abrindo caminho para um possível tratamento inédito para a hipertensão.

Cientistas brasileiros podem ter descoberto no cérebro o gatilho que leva algumas pessoas a desenvolver pressão alta, em um avanço que pode abrir caminho para um novo tratamento da hipertensão. A pesquisa foi conduzida por pesquisadores da Universidade de São Paulo, em parceria com colegas da Nova Zelândia, e mira justamente a origem do problema dentro do organismo.

A hipertensão é uma realidade diária para milhões de brasileiros, que precisam controlar a doença com medicação contínua. É o caso de Roseli, que todos os dias, antes mesmo do café da manhã, toma o seu remédio e mantém uma cartela na bolsa para não correr o risco de esquecer quando está fora de casa.

De acordo com o estudo, os pesquisadores identificaram que uma pequena região do tronco encefálico, chamada parafacial lateral, está envolvida no processo. Essa área, que é ativada por respirações mais vigorosas, também parece impulsionar a contração dos vasos sanguíneos, elevando a pressão arterial.

Nos experimentos realizados, quando os cientistas desativaram essa região do cérebro, a pressão arterial voltou ao normal. O resultado reforça a hipótese de que esse ponto específico do sistema nervoso funciona como um dos comandos por trás do aumento da pressão em determinadas pessoas.

A partir dessa descoberta, a ideia para um futuro tratamento é controlar, com medicamentos, a atividade dos corpos carotídeos, pequenos sensores localizados no pescoço. Segundo os pesquisadores, essas estruturas funcionam como mensageiros entre o corpo e a região cerebral identificada no estudo.

O bloqueio dessa comunicação impediria que o comando de vasoconstrição, ou seja, o estreitamento dos vasos sanguíneos, seguisse adiante. Com isso, a pressão arterial deixaria de subir de forma descontrolada em pacientes que hoje dependem de medicação diária para manter a doença sob controle.

Embora ainda esteja em fase de pesquisa, o achado é apresentado pelos cientistas como um caminho promissor para um tratamento inédito. A expectativa é que, no futuro, a abordagem ajude pessoas que convivem com a hipertensão e enfrentam dificuldades para mantê-la sob controle apenas com os tratamentos disponíveis atualmente.

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