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Teste brasileiro detecta superbacterias em 6 horas, nao em 3 dias

Teste brasileiro detecta superbacterias em 6 horas, nao em 3 dias

Pesquisadores brasileiros da Faculdade de Medicina da USP desenvolveram um teste capaz de detectar superbacterias em apenas 6 horas, contra os ate 3 dias exigidos pelos metodos atuais. Semelhante a um teste de gravidez ou de covid-19, rapido e de baixo custo, o exame identifica portadores de enterobacterias resistentes a carbapenemicos e pode antecipar o isolamento de pacientes em UTIs, reduzindo gastos. O trabalho foi publicado em revistas cientificas internacionais.

Pesquisadores brasileiros desenvolveram um teste capaz de detectar superbacterias em apenas seis horas, um avanco importante diante do metodo atual, que pode levar ate tres dias para chegar a um resultado. Segundo os responsaveis, o exame e semelhante a um teste de gravidez ou de covid-19, sendo rapido e de baixo custo, e o trabalho ja foi publicado em revistas cientificas internacionais.

O professor da Faculdade de Medicina da USP, Matias Chiarastelli Salomao, explicou a dimensao do problema que motivou a pesquisa. De acordo com o especialista, quando se olha para o cenario mundial, as infeccoes graves causadas por essas bacterias estao associadas a cerca de quatro milhoes de mortes, muitas vezes em pacientes que ja apresentam outras condicoes de saude, o que torna o tema uma grande preocupacao para a saude humana.

O termo superbacteria abrange um grande grupo de micro-organismos, e o novo teste foi desenhado para identificar as mais comuns dentro do ambiente hospitalar: as enterobacterias resistentes a carbapenemicos. Na pratica, o exame nao busca a bacteria em si, mas sim o mecanismo de resistencia que ela carrega, permitindo reconhecer quando o paciente e portador desse tipo de bacteria resistente.

A principal inovacao esta na etapa em que o teste e aplicado. Segundo Salomao, no processo tradicional de cultura de vigilancia a identificacao do mecanismo de resistencia so acontece na fase final, depois de concluida a cultura. A equipe transpos esse passo final para o inicio do processo, coletando uma amostra do reto do paciente com um cotonete e submetendo o material a um cultivo curto, de apenas seis horas.

A partir desse pequeno cultivo, o exame funciona como um teste de gravidez. Ele conta com anticorpos que marcam a presenca dos mecanismos de resistencia e, com isso, indicam se o paciente e portador da bacteria resistente. E justamente esse cultivo inicial de seis horas que explica o tempo total do teste, ainda muito inferior aos varios dias exigidos pelos metodos convencionais.

Para chegar ao resultado, os pesquisadores usaram amostras de desafio, algumas vindas dos Estados Unidos e utilizadas pela industria, e verificaram que o metodo conseguia identificar as chamadas carbapenemases. Em seguida, fizeram uma validacao laboratorial com amostras simuladas e, por fim, testaram o exame em pacientes. Salomao contou que os resultados iniciais ficaram abaixo do esperado, mas melhoraram apos ajustes no processo.

Alem da validacao tecnica, a equipe avaliou qual seria o impacto de incorporar o teste a rotina hospitalar. A expectativa e que a identificacao mais rapida de portadores dessas bacterias em unidades de terapia intensiva permita antecipar medidas de isolamento e, assim, reduzir custos ligados a esse controle, ao mesmo tempo em que ajuda a conter a disseminacao de infeccoes de dificil tratamento.

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