Mesmo depois de descartadas, as lâmpadas fluorescentes ainda guardam materiais de alto valor para a indústria e para a tecnologia. Uma pesquisa brasileira mostrou que é possível recuperar esses materiais, conhecidos como terras raras, a partir desse tipo de resíduo, transformando o que seria lixo em matéria-prima estratégica.
O processo se apoia no uso de bactérias capazes de extrair os metais contidos nas lâmpadas e reaproveitar materiais considerados estratégicos para a economia mundial. Segundo a explicação apresentada, esses microrganismos têm a capacidade natural de transformar um resíduo que contém enxofre em um ácido muito forte, o ácido sulfúrico.
É justamente essa produção do chamado ácido biogênico que permite a recuperação dos metais. O ácido gerado pelas bactérias é usado para promover a solubilização das terras raras presentes no resíduo, separando os elementos de valor do material descartado.
As terras raras são um grupo de 17 elementos químicos metálicos, essenciais para a fabricação de tecnologias como smartphones e televisores. Apesar do nome, elas não são tão raras na natureza, e o Brasil é apontado como um dos países com a maior concentração desses elementos.
O desafio está na forma como esses elementos aparecem. Costumam estar presentes em baixas concentrações, o que torna a extração e a separação processos complexos e caros, e ajuda a explicar por que o reaproveitamento a partir de resíduos desperta tanto interesse.
O trabalho dos pesquisadores do Instituto de Química da Unesp mostrou que é possível recuperar quase totalmente alguns desses elementos presentes nas lâmpadas fluorescentes, com destaque para o ítrio e o európio, dois materiais de grande valor tecnológico.
De acordo com a pesquisa, o processo alcançou um grau de pureza de até 96%, resultado que abre caminho para o reaproveitamento desses materiais de alto valor. A técnica aponta para uma alternativa mais sustentável de obtenção de terras raras, ao recuperar elementos estratégicos a partir de um resíduo comum.
