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Polícia Ambiental do Vale do Paraíba resgatou 2.600 aves de caçadores em dois anos e ex-caçadores trocam a arma pela câmera na Serra do Mar

Polícia Ambiental do Vale do Paraíba resgatou 2.600 aves de caçadores em dois anos e ex-caçadores trocam a arma pela câmera na Serra do Mar

Em dois anos, equipes da Polícia Ambiental do Vale do Paraíba resgataram 2.600 aves aprisionadas por caçadores e prenderam 51 pessoas na Mata Atlântica. Durante uma operação, um tiro foi disparado para assustar os agentes. Ao mesmo tempo, ex-caçadores como Ezequiel e Roberto passaram a percorrer as trilhas da Serra do Mar apenas para observar pássaros.

Nos últimos dois anos, equipes da Polícia Ambiental do Vale do Paraíba resgataram 2.600 aves que haviam sido aprisionadas por caçadores na Mata Atlântica. Além de libertar os animais, os agentes localizam e destroem armadilhas, como as arapucas usadas para capturar os pássaros.

Durante uma das operações, os policiais tinham certeza de que os caçadores estavam por perto. De repente, um tiro foi disparado, e todos precisaram se abaixar. Os agentes não souberam dizer com exatidão de onde veio o disparo, mas acreditam que algum caçador atirou para assustar a equipe que avançava pela mata.

O acampamento onde os criminosos estavam foi deixado às pressas. Os policiais encontraram o local que eles chamam de rancho, uma estrutura improvisada com uma lona preta no meio da selva, onde os caçadores costumam ficar durante as incursões na floresta.

O saldo da operação foi de quatro armadilhas destruídas, que não farão novas vítimas, e de um rancho de caçadores desmontado. Segundo os policiais, quem é flagrado com animais vivos ou mortos paga multa de 5 mil reais por cada bicho, valor que dobra quando a infração ocorre dentro de uma área de parque.

Ainda de acordo com os agentes, 51 pessoas foram presas nos últimos dois anos por crimes ligados à caça. O esforço é justificado pela importância da Mata Atlântica, conhecida pela riqueza de sua diversidade, que, no entanto, não é infinita e pode se esgotar sem trabalho de preservação.

Essa preocupação motiva o trabalho de um educador apaixonado pela natureza desde os 8 anos de idade. Ele reconhece que a caça ainda faz parte da vida de muitas comunidades caiçaras, por ser uma prática cultural e intrínseca, mas afirma que esse cenário está mudando. Em um dos cursos que ministrou, para 60 pessoas, 25 eram caçadores.

A transformação aparece em histórias como a de Ezequiel, que aprendeu a caçar com o pai no litoral norte de São Paulo e, até os 18 anos, entrava na mata apenas para isso. Roberto também capturava e caçava animais, mas não pega em uma arma desde 2008, quando passou por uma mudança de consciência. Hoje os dois voltam às trilhas da Serra do Mar para observar pássaros, como resume um deles ao dizer que trocou o clique da espingarda pelo clique da máquina fotográfica.

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