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Terapia CAR-T contra câncer, da USP, perto de chegar ao SUS

Terapia CAR-T contra câncer, da USP, perto de chegar ao SUS

Uma terapia considerada revolucionária no combate ao câncer, desenvolvida por pesquisadores da USP, está cada vez mais perto de ser oferecida pelo SUS. O tratamento usa células de defesa do próprio paciente, modificadas em laboratório para atacar o tumor. Cerca de nove em cada dez pacientes com linfoma tiveram redução significativa, e a previsão é que a terapia chegue ao sistema público em até dois anos.

Uma terapia considerada revolucionária no combate ao câncer está cada vez mais perto de se tornar realidade para pacientes atendidos pelo SUS. O tratamento, desenvolvido por pesquisadores da USP, utiliza células de defesa do próprio paciente, modificadas em laboratório. Trata-se de um avanço que pode ajudar a mudar a vida de milhares de brasileiros. A possibilidade de oferecer essa tecnologia pela rede pública é o que torna o caso tão relevante para o país.

Os resultados já alcançados ajudam a explicar o entusiasmo em torno da terapia. Paulo, de 64 anos, começou o tratamento considerado revolucionário em 2023, e três meses depois o linfoma não foi mais detectado em nenhum exame. A recuperação dele virou um exemplo concreto do potencial da técnica. Para quem enfrentava a doença, o desaparecimento dos sinais nos exames representou uma mudança radical de cenário.

Outro caso reforça esse quadro. Bruno, de 32 anos, iniciou a terapia em 2021 para combater uma leucemia rara e, em menos de 100 dias, também não apresentava mais sinais da doença. Ele resumiu a experiência ao dizer que acabou zerando a doença e que, por isso, se sente uma pessoa privilegiada. O relato dá rosto humano a um tratamento que, até pouco tempo, parecia distante da realidade da maioria dos pacientes.

Conhecida como terapia CAR-T, a técnica é considerada uma das maiores inovações da medicina no combate a alguns tipos de câncer. O tratamento utiliza as células de defesa do próprio paciente, modificadas em laboratório para reconhecer e atacar as células cancerígenas de forma mais eficiente. Não é possível tratar todos os tipos de câncer com essa abordagem, mas, segundo os envolvidos, a tecnologia pode ser ampliada e aplicada para outros tipos da doença. Esse alcance futuro é parte do que torna o avanço tão promissor.

A estrutura responsável por essa frente fica no interior de São Paulo. O laboratório está em Ribeirão Preto e começou a funcionar em 2015, fruto de uma parceria entre o governo do estado e o Instituto Butantan. Essa base é o ponto de partida para transformar a pesquisa em um tratamento acessível. A previsão é de que a terapia esteja disponível pelo SUS em até dois anos, o que ampliaria o acesso para além dos casos acompanhados até agora.

O caminho até a rede pública também envolveu investimento e acompanhamento científico. O governo federal aplicou 100 milhões de reais no estudo clínico, e os resultados preliminares são descritos como animadores. Cerca de nove em cada dez pacientes com linfoma apresentaram redução significativa do tumor após o tratamento desenvolvido pela USP. Esses números preliminares ajudam a sustentar a expectativa em torno da chegada da terapia ao SUS.

Antes da liberação, porém, há etapas a cumprir. É preciso acompanhar cada paciente por pelo menos um ano, contado a partir do dia em que recebeu a medicação, para avaliar os efeitos do tratamento. Os resultados serão acompanhados por um comitê da Anvisa, que deve agilizar a aprovação para que a terapia seja oferecida pelo SUS. O custo é outro ponto de peso, já que o tratamento atualmente gira em torno de 500 mil dólares, mais de 2 milhões e meio de reais, o que reforça a importância de viabilizá-lo pela rede pública.

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