A seleção brasileira está fora da Copa do Mundo de 2026. O Brasil foi eliminado nas oitavas de final ao ser derrotado pela Noruega por 2 a 1, em partida disputada no estádio da região de Nova York que vai receber a decisão do torneio. Os dois gols noruegueses saíram dos pés de Erling Haaland, enquanto o Brasil, comandado por Carlo Ancelotti, só conseguiu descontar no fim, com Neymar. É a primeira vez desde 1990 que o Brasil deixa o Mundial ainda na fase das oitavas de final, um resultado que caiu como um choque entre torcedores e comentaristas.
Em campo, a Noruega dominou as ações e teve mais de 60% de posse de bola diante de uma seleção brasileira que preferiu esperar. O centroavante Haaland foi o protagonista absoluto: além de marcar os dois gols, atuou também fora da área e ditou o ritmo da equipe escandinava. Para os analistas, ele confirmou o status de um dos três melhores centroavantes do mundo, alguém acostumado a decidir jogos na Premier League e na Liga dos Campeões, e foi fatal quando teve as chances diante do gol brasileiro.
O Brasil ainda teve a chance de mudar o rumo da partida quando conseguiu um pênalti a favor, mas desperdiçou a cobrança: a batida coube a Bruno Guimarães, que finalizou mal e parou no goleiro norueguês. Já na etapa final, Neymar entrou durante o jogo e converteu uma penalidade, descontando para deixar o placar em 2 a 1. O gol, porém, veio tarde e não foi suficiente para evitar a eliminação, e o pênalti perdido por Bruno virou um dos principais pontos de discussão após o apito final.
A escolha do batedor gerou forte debate. Comentaristas defenderam que a responsabilidade deveria ter sido de Vinícius Júnior, apontado como o protagonista do time, jogador do Real Madrid e referência técnica da seleção, alguém que costuma cobrar pênaltis no clube. Para essa corrente, o astro deveria ter assumido a bola no momento decisivo. Questionado na entrevista coletiva sobre o motivo da escolha, Ancelotti respondeu que a comissão técnica havia definido Bruno Guimarães como cobrador. Mesmo assim, parte dos analistas ponderou que o pênalti perdido, sozinho, não explica a eliminação.
A pressão recaiu com força sobre o treinador. No estúdio, comentaristas afirmaram que Ancelotti trabalhou mal, criticaram decisões de escalação e projetaram uma ampla renovação do elenco a partir de agora, praticamente um recomeço do zero. Também apontaram que o técnico dificilmente terá tranquilidade para conduzir esse processo diante da cobrança que existe no Brasil, e a entrevista coletiva concedida após a partida foi classificada por torcedores como decepcionante.
O tropeço reacende um retrospecto incômodo. A última eliminação brasileira nas oitavas de final havia ocorrido em 1990, quando a Argentina venceu o Brasil com o famoso gol de Claudio Caniggia, em jogada de Diego Maradona. Além disso, a seleção não vence uma equipe europeia em confronto eliminatório desde a final de 2002. Nas últimas edições, o Brasil caiu diante de rivais do continente: nas quartas de final de 2018 para a Bélgica, nas quartas de 2022 para a Croácia e agora, em 2026, para a Noruega. Com o novo formato, que incluiu uma fase de trinta e dois e as oitavas, a queda veio apenas no quinto jogo da campanha.
Do lado de fora do estádio, em Nova Jersey, o sentimento entre os brasileiros era de revolta. Repórteres que acompanharam a movimentação em um shopping próximo à arena descreveram torcedores inconformados e divididos sobre os rumos da seleção. Parte do público defendia que Neymar deveria ter começado a Copa como titular, enquanto outros afirmavam que ele nem deveria ter sido convocado. Acima das divergências, prevalecia a frustração de mais uma eliminação para um adversário europeu e a sensação de vexame por deixar o Mundial tão cedo.
