O tênis brasileiro tem motivos de sobra para comemorar em Paris. Luis Guto Miguel, de apenas 17 anos, garantiu uma vaga na final de simples da chave juvenil de Roland Garros, um dos quatro torneios de Grand Slam do calendário. O resultado coloca um nome do Brasil na decisão de um dos palcos mais tradicionais do esporte e abre a chance de um feito inédito para o país.
A classificação veio em um confronto totalmente brasileiro. Na semifinal, disputada nesta sexta-feira, Guto superou o compatriota Leonardo Storck por 6/1, 3/6 e 6/2, em uma partida que colocou dois jovens do mesmo país frente a frente em busca da vaga na final. Foi a primeira vez que uma semifinal de um Grand Slam juvenil teve dois tenistas brasileiros em quadra, sinal de um bom momento da nova geração.
O alcance histórico do resultado vai além da própria partida. Com a vitória, Guto Miguel se tornou o primeiro brasileiro a chegar à final da chave de simples masculina juvenil de Roland Garros em 59 anos. O último havia sido Luis Felipe Tavares, lá em 1967, o que dá a dimensão do tempo que o país esperou para voltar a ter um representante nessa fase do torneio.
Guto entra para uma lista curta e seleta de tenistas brasileiros. Ele é apenas o quarto a alcançar uma final de simples masculina juvenil em Roland Garros, depois de Edison Mandarino, em 1959, de Thomaz Koch, em 1962 e 1963, e do já citado Luis Felipe Tavares, em 1967. Todos os anteriores, porém, terminaram como vice-campeões, o que deixa em aberto a possibilidade de Guto se tornar o primeiro brasileiro a levantar o troféu.
A campanha do jovem também é coerente com o seu status na competição. Guto Miguel é o principal cabeça de chave do torneio e ocupa a quarta posição no ranking mundial da categoria, o que faz dele um dos grandes favoritos. Em caso de título, ele tem ainda a chance de assumir a liderança do ranking juvenil, somando ao feito histórico uma marca individual de peso.
Na final, o adversário virá dos Estados Unidos. Guto enfrentará o americano Michael Antonius, que aparece como cabeça de chave número 14 da chave, em uma decisão marcada para o sábado. Será a oportunidade de o brasileiro transformar uma campanha já histórica em algo ainda maior, com a chance concreta de conquistar um título que nunca foi do Brasil nessa categoria.
Na chave feminina, no entanto, o Brasil não terá representante na decisão. A jovem Vitória Barros, também de 17 anos, foi eliminada ao perder a sua semifinal e deu adeus à competição. Ainda assim, a presença de tenistas brasileiros nas fases finais das duas chaves reforça a impressão de que o país vive um período promissor na base do tênis, de olho nos próximos anos.
