A pouco mais de duas horas da cidade de São Paulo, na Serra do Mar, está a maior reserva ambiental privada de Mata Atlântica do Brasil. A área verde soma 31 mil hectares de floresta preservada, uma extensão que equivale a quase o mesmo tamanho de Belo Horizonte, capital de Minas Gerais.
A riqueza da fauna local aparece nos registros feitos dentro da floresta. Imagens captadas na reserva mostram lobinhos, antas e muitas onças circulando pela mata, sinais da diversidade que o território abriga em uma região tão próxima da maior cidade do país.
Um dos pontos altos da reserva é a Cachoeira da Água Branca, considerada a sexta maior do país e a maior do estado de São Paulo. São 180 metros de queda d'água, com duas quedas, e na parte de baixo a água se mantém cristalina e sem poluição, convidando ao mergulho.
O acesso à cachoeira é feito por uma trilha de seis quilômetros. No passado, esse mesmo caminho era usado por moradores de comunidades que iam a pé de Ubatuba, no litoral, até Vargem Grande Paulista, na região metropolitana de São Paulo, ligando a costa ao interior.
Ao longo do percurso, chamam a atenção as figueiras gigantes, árvores que passam facilmente dos 20 metros de altura e algumas delas são centenárias. Muitos animais usam esses troncos enormes para se camuflar na Serra do Mar. Sob uma das árvores foi encontrado um ovo de coloração natural entre o verde e o azul, identificado como um ovo de macuco, pássaro que vive na Mata Atlântica.
A floresta também exige cuidado com a fauna peçonhenta. A jararaca, encontrada na região, tem veneno potente, e suas consequências mais comuns são dor e inchaço, mas em casos mais graves a picada pode levar à morte se o socorro demorar demais. O Brasil registra em média 26 mil acidentes com cobras por ano, a maioria sem gravidade.
Entre as espécies, as jararacas são responsáveis por 70% das picadas em humanos no país e por 90% dos casos no estado de São Paulo. Para quem cresceu na área, como Gui, um dos monitores do parque criado no sopé da Serra do Mar, a grandiosidade do lugar tem forte valor afetivo e representa as raízes das comunidades que vivem na serra.
