Os números mais recentes ajudam a mostrar o tamanho da violência contra a mulher no Brasil. Apenas nos primeiros meses do ano, a Justiça já concedeu mais de 170 mil medidas protetivas, um volume que evidencia a dimensão do problema enfrentado por milhares de mulheres no país.
Na prática, esse total significa uma decisão judicial a cada 45 segundos. O ritmo dá a medida de quantas mulheres recorrem à Justiça em busca de proteção diante de situações de agressão e ameaça no dia a dia.
Uma dessas mulheres, que tem medo de aparecer, contou que saiu de casa apenas com a roupa do corpo depois de ser agredida e ameaçada pelo ex-marido. O episódio mostra o nível de risco que leva muitas vítimas a deixarem tudo para trás de uma hora para outra.
No caso dela, a Justiça determinou que a filha de quatro anos, que hoje vive com o pai, fosse entregue à mãe. No entanto, ele descumpriu a ordem judicial e também a medida protetiva ao parar o carro em frente ao condomínio da ex-mulher. Segundo ela, há o temor de que ele esteja à espera para fazer algo contra ela quando sair de casa.
Para especialistas, a cada dia mais mulheres se sentem encorajadas a procurar ajuda. Elas estão mais conscientes dos seus direitos, sabem que existe a medida protetiva e entendem que precisam buscar apoio quando se encontram em situação de risco.
Apenas no mês de março, foram concedidas quase 94 mil medidas protetivas. O número representa um crescimento de 13% em relação ao mesmo mês do ano passado e é o maior registrado em seis anos, desde o início desse acompanhamento.
Os dados refletem, ao mesmo tempo, a gravidade da violência enfrentada pelas mulheres e o uso crescente dos mecanismos que ajudam a salvar a vida de quem está ameaçada. O recorte registrado nos três primeiros meses do ano reforça a importância das medidas protetivas como instrumento de proteção.
