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Mais de 1,4 milhão de crianças foram registradas sem o nome do pai no Brasil entre 2016 e 2025

Mais de 1,4 milhão de crianças foram registradas sem o nome do pai no Brasil entre 2016 e 2025

Dados da Associação Nacional dos Registradores de Pessoas Naturais mostram que, entre 2016 e 2025, mais de 1,4 milhão de crianças foram registradas sem o nome do pai na certidão de nascimento, com os maiores índices no Norte e Nordeste. Especialistas explicam o que é o abandono afetivo e seus impactos.

Mais de 1,4 milhão de crianças foram registradas no Brasil sem o nome do pai na certidão de nascimento entre 2016 e 2025. Os dados são da Associação Nacional dos Registradores de Pessoas Naturais e ajudam a dimensionar um problema que vai além dos números, levantando questões sobre os impactos da ausência paterna na vida dessas crianças.

Segundo o levantamento, as regiões Norte e Nordeste do país apresentam os maiores índices de ausência paterna. O cenário serve de ponto de partida para uma discussão mais ampla, que envolve não apenas o registro em cartório, mas também o tipo de presença que se espera de quem tem a responsabilidade de exercer a parentalidade.

De acordo com especialistas, o chamado abandono afetivo é muito mais amplo do que a simples assistência material. Trata-se da falta de cuidado do genitor ou da genitora em relação ao filho, ou seja, de estar presente na vida da criança, acompanhar o seu crescimento e prestar apoio moral. É algo objetivo, e não se resume ao pagamento de uma pensão alimentícia.

Mais do que a ausência física, o problema se caracteriza pela falta de cuidado, atenção, convivência e apoio emocional por parte de quem deveria exercer esse papel. Os especialistas alertam que essa ausência costuma deixar traumas e que as crianças acabam demonstrando o sofrimento por meio de sintomas, como dificuldade de acompanhamento escolar, brigas e problemas de alimentação e de relacionamento.

Os pais são descritos como um modelo estruturante da personalidade das crianças, desde o início e até antes do nascimento. A ausência de cuidados maternos ou paternos deixaria marcas capazes de estruturar o indivíduo com falhas básicas na capacidade de viver no mundo, de se relacionar e de resolver problemas pensando não apenas no próprio benefício, mas também no do outro.

No ambiente escolar, o reflexo aparece quando crianças e adolescentes resolvem as questões do dia a dia com brigas, discussões, isolamento e falta de vontade de aprender. As escolas muitas vezes chamam os pais em busca de apoio em casa, mas, em alguns casos, eles têm uma rotina profissional intensa e pouca disponibilidade, querendo estar presentes sem ter tempo para isso, enquanto outros acreditam que a criança pode se virar sozinha.

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