A navegação nos rios da Amazônia voltou a preocupar as autoridades após uma sequência de naufrágios registrados em poucos dias. Em menos de uma semana, oito pessoas morreram em acidentes desse tipo no Pará. Os casos se concentraram em diferentes rios da região e reacenderam o alerta sobre a segurança do transporte fluvial, que é essencial para o deslocamento das populações amazônicas.
No rio Xingu, na altura de Altamira, uma voadeira, embarcação pequena e veloz muito utilizada na região, naufragou. Um adolescente de 14 anos seguia desaparecido após o acidente, de acordo com as informações divulgadas. Todos os ocupantes da embarcação eram indígenas, o que evidencia o impacto desses acidentes sobre as comunidades tradicionais que dependem dos rios para se locomover.
No arquipélago do Marajó, a colisão entre dois pequenos barcos deixou três pessoas mortas. Já no rio Iriri, outra embarcação naufragou, mas, neste caso, todos os passageiros conseguiram ser resgatados com vida. Os episódios, ocorridos em pontos distintos do estado, ilustram a frequência com que esse tipo de tragédia se repete nas águas amazônicas.
De acordo com a Marinha, foram instaurados 842 inquéritos relacionados à navegação ao longo do ano passado. Das mortes registradas nessas ocorrências, 75 aconteceram na região Norte do país. Os números reforçam a avaliação de que a região amazônica permanece como a que oferece maior risco à navegação em todo o território brasileiro.
O cenário se manteve preocupante no início deste ano. Somente nos três primeiros meses de 2026, 15 pessoas morreram em naufrágios, segundo o levantamento apresentado. A recorrência dos acidentes mostra que o problema persiste e continua a cobrar vidas nas hidrovias que cortam a floresta e ligam comunidades isoladas ao restante do estado.
Entre as irregularidades mais comuns apontadas estão o excesso de passageiros nas embarcações, a falta de equipamentos de segurança, como coletes salva-vidas, e a condução de barcos por pessoas sem habilitação. Moradores lembram que tanto o período de cheia quanto o de seca trazem riscos para quem navega. Mesmo quem conhece bem os rios da região afirma que é preciso redobrar os cuidados.
