Um erro da Justiça mudou a vida do técnico de enfermagem aposentado João Batista, de 68 anos, que precisou lidar com as consequências de uma prisão injusta no Rio Grande do Sul. Mesmo já em liberdade, ele convive com o medo e as sequelas emocionais de ter sido detido por um crime que não cometeu.
Segundo o relato, João Batista foi confundido com o alvo de uma operação contra uma quadrilha especializada no furto de caminhões no estado. Aos 68 anos, ele acabou detido no município de Portão, a cerca de 50 quilômetros de Porto Alegre, em uma ação que o colocou no centro de uma investigação à qual ele não tinha ligação.
De acordo com o advogado do aposentado, a única prova que sustentava a prisão era a foto de um documento dele encontrada no celular de um dos suspeitos. A fragilidade dessa base ficou ainda mais evidente quando se observou a cronologia envolvendo a habilitação de João Batista.
Conforme a defesa, a carteira de motorista dele havia vencido em março de 2023 e foi entregue no centro de formação de condutores de Portão em maio do mesmo ano. A cópia desse documento, no entanto, só foi encontrada no celular do suspeito em setembro de 2023, reforçando que João Batista não tinha relação com o grupo.
Ainda assim, o aposentado passou 66 dias atrás das grades. Foi somente no fim do mês passado que João Batista recuperou a liberdade, com o arquivamento do inquérito que havia levado à sua detenção. A soltura, porém, não devolveu de imediato a normalidade à sua rotina.
A polícia concluiu que o nome de João Batista havia sido utilizado pelos criminosos para alugar um imóvel onde funcionava um desmanche de caminhões. Por nota, o Ministério Público reconheceu que a prisão foi baseada em indícios iniciais, enquanto a Polícia Civil não quis se pronunciar sobre o caso.
Mesmo fora da prisão, João Batista afirma continuar sofrendo as consequências da acusação injusta. Antes ativo na comunidade, ele agora mal sai de casa, descrevendo o trauma como uma cicatriz invisível, sentida por ele mesmo, e cobrando que as autoridades tivessem investigado melhor antes de prendê-lo.
