Pelo menos quatro famílias de Arapongas, cidade da região norte do Paraná que fica a cerca de 400 quilômetros de Curitiba, fizeram uma denúncia grave envolvendo o cemitério municipal. Elas afirmam que os corpos de parentes sepultados no local não estão mais nos túmulos que foram comprados para os enterros, em um cenário descrito pelas famílias como de angústia, dúvida e revolta.
Um dos casos é o de um pai que perdeu as filhas gêmeas. Uma das gêmeas morreu antes mesmo do parto e a outra morreu aos quatro anos, após ser internada por cerca de onze dias. A intenção da família era manter as duas irmãs juntas, na mesma sepultura. Ao voltar ao cemitério para sepultar a segunda filha, no entanto, o pai relata ter encontrado outro casal já enterrado no túmulo havia cerca de três meses.
Segundo o relato, ao questionar a situação, a família foi informada de que teria perdido o jazigo por não ter feito o recadastramento. Sem saber o que havia sido feito com o túmulo e com os restos mortais, o pai precisou comprar dois novos jazigos para conseguir sepultar a filha. Outras famílias, como a de Guilherme Campos Santos, também seguem sem saber o destino dos restos mortais de seus parentes.
As famílias apontam que, pelo próprio decreto municipal, o repasse dos terrenos a outras pessoas e a possível retirada dos restos mortais dos jazigos só poderiam ser feitos depois de cinco anos do sepultamento, ou em situações específicas previstas nas regras. Por isso, questionam como os túmulos que adquiriram foram ocupados por outros sepultamentos em prazos muito menores.
A Justiça já tomou decisões no caso. Houve determinação para que a Prefeitura de Arapongas esclareça as questões de documentação e recadastramento e informe o destino dos restos mortais dos familiares sepultados no cemitério da cidade. A apuração trata de possíveis crimes como profanação de sepulturas e destruição de cadáveres, e uma decisão judicial autoriza a exumação e a análise de DNA dos restos mortais.
Procurada, a Prefeitura de Arapongas preferiu falar sobre o caso por nota. No comunicado, afirma que presta serviços no cemitério municipal e que já encaminhou ao Ministério Público respostas para todos os questionamentos judiciais. A prefeitura sustenta ainda que, em alguns casos, houve mal-entendido, e garante que a menina foi sepultada ao lado da irmã gêmea.
A administração municipal encerra a nota dizendo que aguarda a decisão judicial que autoriza a exumação e a análise dos restos mortais, procedimento que deve ajudar a confirmar a identidade dos corpos. Enquanto isso, as famílias seguem cobrando respostas e exigindo saber onde estão, de fato, os restos mortais dos entes queridos que acreditavam ter sepultado em segurança.
