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Atlas da Violência aponta que o abuso sexual de crianças e adolescentes quadruplicou em uma década no Brasil

Atlas da Violência aponta que o abuso sexual de crianças e adolescentes quadruplicou em uma década no Brasil

Levantamento do Atlas da Violência mostra que, no Brasil, a cada doze minutos uma criança ou adolescente é vítima de abuso sexual, e que esse tipo de crime cresceu quatro vezes em dez anos. Entre as vítimas está uma adolescente de 16 anos que encontrou na arte uma forma de expressar o sofrimento vivido em silêncio.

No Brasil, a cada doze minutos uma criança ou adolescente é vítima de abuso sexual. O número, alarmante por si só, ganha contornos ainda mais graves diante de um levantamento do Atlas da Violência, que apontou que esse tipo de crime quadruplicou ao longo de uma década no país. Os dados expõem um problema persistente e que, segundo especialistas, continua amplamente subnotificado.

O crescimento aparece em todas as faixas etárias, o que torna o quadro especialmente preocupante. Entre crianças e adolescentes de 5 a 14 anos de idade, o número de casos aumentou quatro vezes em dez anos. A maior parte das vítimas é do sexo feminino, um padrão que se repete nas estatísticas e que reforça a vulnerabilidade das meninas a esse tipo de violência.

Apesar da dimensão dos números oficiais, eles ainda estão longe de refletir a realidade completa. Vários estudos demonstram que apenas cerca de 10% dos casos chegam às autoridades, aos conselhos tutelares e às polícias. Isso significa que a imensa maioria das agressões permanece no silêncio, sem registro e sem qualquer tipo de responsabilização para os agressores.

Por trás dessas estatísticas existem histórias concretas de sofrimento. Uma adolescente de 16 anos encontrou na arte uma maneira de expressar uma dor que carregava em silêncio. Ainda na infância, ela começou a ser violentada pelo padrasto, e relata que sentia sobre si o peso de, ao denunciar, ser acusada de destruir uma família e um casamento.

Quando criou coragem para denunciar os abusos, a adolescente foi desacreditada pela própria mãe. Foi a diretora da escola onde ela estudava que procurou a polícia e deu andamento ao caso. O padrasto chegou a ser condenado a 25 anos de prisão, mas, assim que recebeu um habeas corpus, voltou a se relacionar com a mãe da vítima.

Hoje a adolescente vive em um lar adotivo, longe do agressor, mas ainda convive com o medo de reencontrá-lo. O advogado que acompanha o caso tenta fazer com que o padrasto volte a ser preso, algo que, segundo ele, traria um conforto muito grande para ela. A jovem afirma ter esperança de que, com muito tratamento e acolhimento, em algum momento conseguirá superar o trauma.

Especialistas alertam que os primeiros sinais da violência sexual podem ser sutis e passar despercebidos. Muitas vezes a vítima demonstra uma mudança de comportamento, que pode ser o primeiro indício de que algo está errado. Reconhecer esses sinais e dar crédito ao relato das crianças e dos adolescentes, segundo eles, é parte essencial para romper o ciclo de silêncio que sustenta esse tipo de crime no país.

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