Policiais e manifestantes camponeses entraram em confronto na região de Cochabamba, na Bolívia. A confusão marca a primeira grande ação sob o estado de exceção decretado pelo governo do presidente Rodrigo Paz, em meio à crise que o país atravessa.
A medida adotada pelo governo tem como objetivo proibir os protestos e os bloqueios de estradas que já se arrastam há sete semanas. Com o estado de exceção, as autoridades passaram a agir de forma mais dura para tentar liberar as vias e conter a mobilização que vinha paralisando parte do país.
Os movimentos, liderados por sindicatos de trabalhadores e agricultores, exigem soluções para a crise econômica e para a venda de gasolina de baixa qualidade. As reivindicações refletem o desgaste de uma população que vem sofrendo com os efeitos da crise no dia a dia.
Durante a ação, vários policiais chegaram para liberar uma rodovia que liga as cidades de La Paz e El Alto. Os agricultores tentaram retomar o protesto utilizando pedras e cargas de dinamite, mas os policiais responderam com gás lacrimogêneo, em uma escalada de tensão no enfrentamento.
A situação é agravada pela escassez de itens básicos. Os municípios afetados enfrentam grave falta de combustível, alimentos e medicamentos, o que aumenta a pressão sobre os moradores e ajuda a explicar a força dos protestos que se espalharam pelo país nas últimas semanas.
O decreto já mostrou efeito sobre o número de bloqueios. Antes da medida de emergência, havia cerca de 50 bloqueios de estradas. No domingo, foram registrados apenas 12, concentrados em Cochabamba, região historicamente ligada ao ex-presidente Evo Morales.
Sem apresentar provas, o governo boliviano acusa Evo Morales de liderar os protestos e de receber apoio financeiro de traficantes de drogas. As autoridades afirmam ainda que não descartam uma eventual captura do ex-presidente, em mais um capítulo da disputa política que cerca a crise.
