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Mulher de 62 anos é resgatada após quase 50 anos de escravidão em Bragança Paulista

Mulher de 62 anos é resgatada após quase 50 anos de escravidão em Bragança Paulista

Uma mulher de 62 anos foi resgatada em Bragança Paulista, no interior de São Paulo, após viver quase 50 anos em condições análogas à escravidão na casa de uma família. Levada aos 12 anos com a promessa de estudar, ela nunca recebeu salário e teve a vida controlada. O Ministério Público investiga o caso.

Uma mulher de 62 anos foi resgatada em Bragança Paulista, no interior de São Paulo, após viver por quase 50 anos em condições análogas à escravidão na casa de uma família. Segundo o Ministério Público, ela foi mantida sob exploração durante décadas, sem salário e sem carteira assinada. O caso veio à tona depois que parentes desconfiaram da rotina à qual a mulher era submetida.

A história começou em 1977, quando a então menina de 12 anos foi levada pelo próprio pai até a casa da família, com a promessa de estudar e ter um futuro melhor. No entanto, esse futuro nunca se concretizou. Em vez de frequentar a escola, a criança cresceu sem acesso à educação e foi obrigada a trabalhar em um regime parecido com o de escravidão.

Durante todos esses anos, a mulher não recebeu salário e não teve acesso à própria conta bancária, cujo dinheiro era controlado pela patroa. A alimentação dela também era controlada dentro de casa, e ela raramente era levada ao médico. As tarefas incluíam cozinhar, limpar a casa e, mais recentemente, cuidar da própria patroa.

As suspeitas começaram quando alguns parentes perceberam que a mulher só saía de casa acompanhada da patroa e que, havia cerca de quatro meses, não deixava o apartamento. Os familiares relataram tê-la encontrado abatida, com os olhos escuros, aparência de quem não dormia e com dores musculares. Segundo eles, ela ficava encolhida em um canto, não se sentava à mesa e chorava com frequência.

De acordo com os parentes, a mulher foi convencida ao longo de toda a vida de que fazia parte da família para a qual trabalhava. Na prática, porém, vivia em condição de escravidão. Ela sofre de dores crônicas e de problemas respiratórios, atribuídos ao trabalho pesado e ao uso constante de produtos químicos na limpeza da casa.

A família da mulher encontrou cerca de 20 mil reais na conta bancária dela. Os parentes afirmam que os patrões teriam retirado 50 mil reais que estariam na conta, valor que não foi devolvido. Os familiares preferiram não se identificar nem mostrar o rosto durante a entrevista, alegando que a família responsável é conhecida na cidade.

Os parentes afirmaram ainda que a mesma família teria mantido outras pessoas em condições análogas à escravidão. Uma outra irmã, entregue a uma família aos 10 anos, só teria conseguido se libertar aos 21, saindo praticamente sem nenhum dinheiro. O Ministério Público investiga o caso e busca apurar se há outras vítimas.

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