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Caminhoneiras enfrentam os desafios da estrada e ganham espaço no volante

Caminhoneiras enfrentam os desafios da estrada e ganham espaço no volante

Mulheres caminhoneiras ganham espaço em um universo historicamente masculino, enfrentando desafios como a segurança nas paradas noturnas e a falta de estrutura. Entre elas estão Luana, que dirige ao lado do pai em Itanhaém, no litoral paulista, e Daniele, encontrada em um posto em Cesário Lange. Entre as caminhoneiras, 18% das mulheres têm nível superior completo, contra 6% dos homens.

Em um universo historicamente dominado por homens, as mulheres caminhoneiras vêm conquistando espaço ao volante e mostrando que a estrada também é delas. As histórias dessas profissionais revelam tanto a paixão pela profissão quanto os obstáculos que precisam superar diariamente para exercê-la.

O percurso de muitas delas é marcado por escolhas e mudanças de rumo. Uma das caminhoneiras chegou a cursar a faculdade de agronomia, dedicando cinco anos de muito estudo à área, mas aos 22 anos, dividida entre o campo e a estrada, optou por seguir o caminho que fazia o coração bater mais forte, assumindo a vida no volante.

Os dados mostram que essas profissionais costumam ser bastante qualificadas. Entre as caminhoneiras, 18% das mulheres possuem um nível superior completo, enquanto apenas 6% dos homens têm a mesma graduação, um contraste que ajuda a desfazer estereótipos sobre quem ocupa as cabines dos caminhões nas estradas do país.

Em Itanhaém, no litoral paulista, dois caminhões estacionam juntos ao fim do dia. De um lado está Luana e, do outro, o pai dela, também caminhoneiro. A trajetória da jovem é motivo de orgulho para a família, que a acompanha de perto nessa profissão exigente, ainda que reconheça os perigos que a estrada representa, especialmente para uma mulher.

A 150 quilômetros da capital, em Cesário Lange, a reportagem encontrou Daniele em um posto para caminhões. Quando o silêncio toma conta da noite, motoristas como ela se preparam para descansar, mas a insegurança é constante. Ela relata o receio de não saber se, embaixo de um caminhão, pode haver alguém armado escondido no escuro.

Entre os maiores desafios para as caminhoneiras que precisam pernoitar nesses pontos de parada está o uso dos banheiros, muitas vezes precários. Some-se a isso o olhar diferente de alguns motoristas diante de uma mulher sozinha. Ainda assim, quando a noite avança, o caminhão vira casa, e essas profissionais seguem firmes em uma rotina que escolheram trilhar.

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