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Carros fortes de transportadora eram usados pelo PCC para o tráfico, diz polícia

Carros fortes de transportadora eram usados pelo PCC para o tráfico, diz polícia

Investigadores afirmam que carros fortes de uma transportadora de valores eram usados pelo PCC para transportar drogas, armas e dinheiro do tráfico, num caso considerado inédito de infiltração do crime organizado em um setor fiscalizado pela Polícia Federal. A Justiça decretou a prisão preventiva de dois homens, entre eles o dono da empresa, que tem sede em Arujá, na Grande São Paulo.

Uma investigação sobre o uso de carros fortes pelo crime organizado em São Paulo revelou o que os próprios investigadores classificam como um fato inédito. Segundo a apuração, veículos de uma transportadora de valores estariam sendo usados pelo PCC para transportar drogas, armas e dinheiro do tráfico. A Justiça decretou nesta data a prisão preventiva de dois homens ligados ao esquema, entre eles o dono da empresa. Para a polícia, o caso aponta para a infiltração do crime organizado em um setor extremamente restrito e fiscalizado pela Polícia Federal.

Antes das prisões, os investigadores acompanharam as atividades da empresa por cerca de dois meses. Durante esse período, um dos carros fortes foi flagrado estacionado à noite em uma comunidade no Jaguaré, na zona oeste de São Paulo. O detalhe chamou a atenção porque a sede da transportadora fica longe dali, em Arujá, na Grande São Paulo. A presença do veículo blindado naquele ponto, fora da rota esperada de uma empresa de transporte de valores, ajudou a direcionar a investigação.

Por fora, a estrutura tinha toda a aparência de uma transportadora de valores comum, com carros blindados, armamento pesado e coletes à prova de bala. Por dentro, porém, a polícia encontrou um cenário diferente. As câmeras de segurança do local não funcionavam, e havia um esconderijo subterrâneo onde estavam guardados cerca de 300 quilos de droga. O contraste entre a fachada legal e o que foi achado no interior reforçou a suspeita de que a empresa servia a outra finalidade.

Para os investigadores, a escolha de carros fortes não foi por acaso. Segundo a avaliação policial, ninguém costuma ouvir falar de uma abordagem a um carro forte, algo que seria muito fora do comum no dia a dia. A suspeita é de que o grupo tenha apostado justamente nessa raridade para circular sem chamar atenção. É esse ponto que leva a polícia a tratar o caso como inédito, com o crime organizado se aproveitando de um setor pensado para ser seguro e confiável.

O alcance do esquema também aparece nas distâncias percorridas pelos veículos. Em uma das viagens, um dos carros fortes rodou mais de 2.700 quilômetros, saindo de Marabá, no Pará, até a sede da empresa. De acordo com a investigação, o grupo trabalhava no transporte de dinheiro ilícito para quem quer que tivesse interesse. Os serviços não eram exclusivos para o tráfico de drogas nem para o contrabando, o que ampliava o tipo de cliente atendido pela estrutura.

Parte da apuração se concentrou no destino do dinheiro movimentado. O dono da transportadora foi flagrado fazendo depósitos fracionados, com dinheiro em espécie, em diversas agências bancárias. Para a polícia, a prática era uma tentativa de ocultar o destino dos valores arrecadados pelo esquema. Esse tipo de movimentação, dividida em várias operações menores, costuma ser usado para dificultar o rastreamento da origem e do caminho do dinheiro.

Com base nessas evidências, a Justiça decretou a prisão preventiva do dono da empresa e de um segundo homem, descrito como uma espécie de faz-tudo dentro da transportadora. As duas prisões marcam a fase mais recente da investigação, que partiu do monitoramento da empresa e chegou ao esconderijo de drogas e à movimentação financeira. Em nota, a defesa afirmou que a empresa não tem envolvimento com atividades criminosas. A apuração segue para detalhar a extensão do esquema e o papel de cada envolvido.

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