O crime organizado encontrou no setor de combustíveis uma fonte de renda bilionária. De acordo com a reportagem, em três anos as facções importaram 435 milhões de litros de metanol para adulterar a gasolina vendida nas bombas dos postos. O esquema se tornou tão lucrativo que passou a render mais do que o tráfico de drogas, mudando o perfil de atuação dessas organizações criminosas.
O volume envolvido dá a dimensão do problema. Foram 435 milhões de litros de metanol trazidos ao longo de três anos com o objetivo de misturar o produto à gasolina comercializada nos postos. Essa quantidade revela o tamanho de uma operação que se infiltrou em uma cadeia essencial para o dia a dia da população e da economia.
A comparação com o tráfico de drogas ajuda a entender a guinada do crime organizado. Hoje, a fraude no setor de combustíveis já representa cerca de 40% dos valores movimentados pelos grupos criminosos no país. Com isso, o que antes era visto como uma atividade secundária se transformou em uma das principais fontes de financiamento dessas facções.
Os ganhos são expressivos. Segundo as informações apresentadas, a adulteração resultou em um lucro de mais de 1 bilhão de reais para as facções. A mistura usada, no entanto, é corrosiva e provoca danos aos veículos, transferindo para o consumidor o prejuízo de um produto que não tem a qualidade que deveria.
Quem abastece muitas vezes percebe o problema na prática. Motoristas relatam que o carro costuma falhar quando o combustível não é de qualidade, um sinal de que algo está errado com o produto vendido. Em muitos casos, o consumidor acaba pagando um preço menor por um combustível falsificado ou contrabandeado, sem saber do risco que corre.
Além do dano ao bolso e aos veículos, há um impacto direto na segurança de quem consome. A entrada do crime organizado nesse mercado também cria uma competição desleal, prejudicando quem atua de forma correta. Por isso, especialistas defendem que a fiscalização precisa continuar e ser ampliada para dar conta do alcance do esquema.
O combate, porém, tende a ser uma corrida contínua. À medida que a fiscalização aperta o cerco, o crime organizado migra para fraudes mais operacionais e mais difíceis de identificar. Por isso, a recomendação é mapear os outros pontos por onde esse tipo de crime começa a fluir, antes que ele encontre novas brechas no setor.
