Um homem que se passava por juiz foi preso em Curitiba, no Parana, depois de aplicar durante decadas o chamado golpe do leilao fantasma na regiao sul do pais. Identificado como Joao Marcelo Pereira de Bortoli, ele usava a autoridade falsa de um magistrado para atrair as vitimas e convence-las de que participavam de negocios legitimos e seguros ligados a bens apreendidos pela Justica.
Segundo a investigacao, o suspeito monitorava anuncios de venda de imoveis e veiculos na internet e entrava em contato com os interessados. Durante a conversa, mudava o foco do negocio e passava a oferecer produtos que, de acordo com ele, haviam sido apreendidos pela Justica ou pela Receita Federal. Os valores anunciados ficavam sempre muito abaixo do preco de mercado, o que despertava o interesse das vitimas.
Para fechar o negocio, o falso juiz exigia um suposto deposito judicial antecipado ou um pagamento via PIX. Assim que recebia o dinheiro, ele simplesmente desaparecia. As pessoas acreditavam na situacao, faziam as transferencias bancarias e acabavam ficando com prejuizos financeiros significativos, sem nunca receber os bens que haviam sido prometidos durante as negociacoes.
Um dos elementos que davam credibilidade ao golpe era o local escolhido para os encontros. O homem marcava reunioes presenciais nas dependencias ou nas proximidades de foruns para ganhar a confianca das vitimas. Ele chegou a ser fotografado dentro da Justica Federal de Curitiba e falava de salas e gabinetes que, na verdade, nem existiam, reforcando a farsa de que era um juiz de verdade.
A apuracao comecou depois de um alerta que veio do proprio sistema de Justica. O setor de seguranca do Tribunal Regional Federal da 4a Regiao, em Curitiba, desconfiou do homem que se passava por juiz. A partir dai, os investigadores descobriram a verdadeira identidade do suspeito e passaram a cruzar boletins de ocorrencia registrados por diferentes vitimas ao longo do tempo.
Foi assim que a policia percebeu que diversas vitimas relatavam o mesmo golpe, com o mesmo telefone, o mesmo modo de agir e o uso de nomes falsos, como Marcos Becker e Dr. Marcelo. Segundo as autoridades, o suspeito ja vinha aplicando golpes desde a decada de 1990 no Rio Grande do Sul, em Santa Catarina e no Parana, se fazendo passar por juiz de direito, por auditor da Receita Federal e por juiz federal.
