O Escritório Nacional Antifacção foi inaugurado nesta sexta-feira no Rio de Janeiro, em uma iniciativa voltada ao enfrentamento do crime organizado no país. A criação da nova estrutura foi apresentada como parte do esforço do poder público para dar uma resposta mais coordenada à atuação das facções criminosas, tema que tem ganhado protagonismo no debate sobre segurança pública no Brasil.
Segundo as informações divulgadas, o principal objetivo do escritório é fortalecer a comunicação entre a União, os estados e os municípios. A proposta parte da avaliação de que o combate a organizações criminosas depende de uma articulação mais estreita entre os diferentes níveis de governo, de modo a evitar lacunas e sobreposições no trabalho das forças de segurança.
No ato de inauguração, foi reforçada a mensagem de que o Estado brasileiro não abre mão de combater o crime organizado. As autoridades destacaram o respeito à soberania nacional e afirmaram estar dispostas a cooperar com todos os estados, em uma sinalização de que o novo escritório pretende funcionar como um ponto de convergência para ações conjuntas em todo o território.
De acordo com a apuração, o projeto prevê quatro frentes principais de trabalho. Essas linhas de atuação foram definidas para orientar as prioridades do escritório e concentrar esforços nos pontos considerados mais sensíveis do enfrentamento às facções, abrangendo desde o financiamento dessas estruturas até a segurança do sistema prisional.
As duas primeiras frentes estão ligadas ao enfraquecimento da estrutura logística e financeira das organizações criminosas. Uma delas é o combate ao tráfico de armas, apontado como elemento central na capacidade de atuação das facções. A outra é o enfrentamento à lavagem de dinheiro, mecanismo utilizado para dar aparência legal aos recursos obtidos com atividades ilícitas.
As demais frentes se voltam para a resposta do Estado à violência e ao controle dos presídios. Uma delas prevê o aumento da solução de crimes violentos, com foco em elevar os índices de esclarecimento desses casos. A outra trata do reforço da segurança nos presídios, considerados por especialistas como espaços a partir dos quais parte das facções mantém e amplia sua influência.
No Rio de Janeiro, as equipes que atuam no complexo penitenciário de Bangu, na zona oeste da cidade, devem passar por treinamento semelhante ao adotado nos presídios federais. Para elevar os níveis de segurança, também está prevista a instalação de novos equipamentos, em uma tentativa de reduzir a capacidade de articulação criminosa dentro das unidades e de fortalecer o controle do Estado sobre o sistema prisional.
