Um trilheiro chamado Ezequiel, que trabalha como motoboy, sobreviveu a seis dias perdido sozinho na mata na região de Joinville, em Santa Catarina, antes de ser resgatado com vida. Ele contou que, logo no início, estava em uma encosta diagonal quando caiu, foi rolando e conseguiu se segurar em uma raiz. Quando olhou para baixo, sentiu que havia um precipício de cerca de quinze metros, o que mostrava o grau de perigo da situação em que tinha entrado.
Foram cinco dias caminhando, ora dentro, ora na borda de um rio. O trajeto escondia muitos perigos, com pedras e várias cachoeiras que elevavam o grau de dificuldade da jornada. Mesmo assim, ele seguiu avançando pela mata fechada em busca de uma saída, enfrentando um ambiente acidentado que tornava cada passo mais arriscado.
Durante o percurso, Ezequiel ainda se deparou com animais silvestres. Ele relatou ter encontrado duas jaguatiricas, uma em pé e outra deitada, e contou que continuou andando normalmente, preparado para se defender caso algum dos animais avançasse. No fim, segundo ele, os animais permaneceram quietos e ele pôde dar continuidade ao seu caminho.
A comida era escassa. Na mochila, ele levava apenas dois pastéis, dois pão de queijo e uma água de coco pequena, e só conseguiu comer no primeiro dia. Ficou sem alimento e sem possibilidade de comunicação, pois, já no fim do primeiro dia perdido na floresta, o celular dele ficou sem bateria. Ezequiel admitiu que falhou na questão dos equipamentos e reconheceu que aquilo foi um erro dele.
Quando anoitecia, ele entrava na mata em busca de um local para dormir, procurando grutas ou abrigos naturais, como o espaço formado por uma árvore que caiu. Ali, ficava na melhor posição possível, encolhido, para tentar conservar o calor do corpo. Segundo o próprio relato, conseguia dormir por uns dez ou vinte minutos e acordava em seguida tremendo de frio.
As buscas mobilizaram diferentes recursos. Durante a noite, drones térmicos eram utilizados na mata, e ao longo do dia, além das equipes de resgate, cães farejadores do Corpo de Bombeiros de Santa Catarina tentavam localizar pistas da passagem de Ezequiel. A alta capacidade olfativa dos cães, segundo as equipes, potencializava bastante o trabalho de procura na região.
Depois de caminhar cerca de trinta quilômetros, Ezequiel chegou a uma estação de tratamento de água de Joinville, onde finalmente recebeu ajuda. Um rapaz trouxe um almoço para ele, macarrão com carne moída. As equipes que ainda estavam na floresta receberam a notícia pelo rádio de que a vítima havia sido localizada com vida, o que provocou uma verdadeira explosão de sentimentos. Em seguida, um helicóptero da Secretaria Estadual de Segurança Pública foi até o local para resgatá-lo.
Ezequiel foi encontrado ainda caminhando, consciente e orientado, algo atribuído ao fato de ele ser uma pessoa acostumada àquele tipo de ambiente, que já fazia trilhas e havia se preparado de algum modo para estar lá. Agora em recuperação, ele entende que foi um erro encarar a trilha sozinho e afirma que o ideal é sempre estar acompanhado, de preferência com um guia ou alguém que conheça a região. Motoboy de profissão, está sem trabalhar até se recuperar, mas garante que vai continuar nas trilhas, agora com mais cuidado.
