Uma família que aparentava sucesso e riqueza acabou no centro de uma grande investigação criminal. Até pouco tempo, a família Nunes era vista como uma família honesta. O patriarca, conhecido como Serjão, era apresentado como um empresário muito bem-sucedido. Esse perfil, no entanto, começou a ruir diante da apuração das autoridades.
A ostentação da família ficava evidente nas redes sociais. As filhas e o ex-genro publicavam imagens exibindo todo tipo de luxo, de viagens a carros caros. Foi justamente esse padrão de vida que chamou a atenção da Receita Federal. O órgão passou a investigar o recolhimento de impostos ligado a Serjão.
Ao avançar na apuração, a Receita Federal percebeu que o caso ia além da sonegação. Segundo a investigação, a família estaria praticando um crime muito maior do que apenas deixar de pagar impostos. As suspeitas apontavam que eles estariam trabalhando para o PCC. Diante disso, o caso foi repassado à Polícia Federal.
A operação policial mirou a estrutura do esquema, que envolvia valores muito altos. As autoridades cercaram os tentáculos da organização criminosa em quatro estados brasileiros. Os montantes movimentados estariam na casa das dezenas de milhões de reais. Com o avanço do cerco, o chamado castelo de cartas montado pelo grupo começou a desmoronar.
Diante da operação, o patriarca tentou escapar das autoridades. Serjão e uma das filhas, Brenda, abandonaram as mansões e passaram a ser procurados. O esconderijo escolhido foi um hotel na cidade vizinha de Uberaba. A fuga, porém, não deu certo, e pai e filha deixaram o hotel algemados.
Outros integrantes do círculo familiar também foram alcançados pela investigação. A esposa de Serjão foi alvo de buscas, mas ficou sem mandado de prisão preventiva. Já o ex-genro, Ranieri Nunes Graciano, foi preso e é apontado pela Polícia Federal como um dos laranjas. Segundo os investigadores, ele teria sido usado para ocultar bens ligados ao esquema criminoso.
Faltava, ainda, uma peça do quebra-cabeça: a filha Bruna, cujo salário era incompatível com o luxo em que vivia. Bruna estava em fuga e, ao parar de receber contato da família, percebeu que estava sozinha. Dias depois das prisões em Uberaba, ela caminhou espontaneamente até a sede da Polícia Federal em Uberlândia. A rendição surpreendeu até os investigadores mais experientes, pois Bruna se entregou pedindo para ficar presa perto da irmã, Brenda, um pedido que, segundo a defesa, ainda não havia sido aceito, enquanto a família aguarda acesso integral ao inquérito, que é sigiloso.
