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Carro da guarda de Fazenda Rio Grande sob suspeita de uso irregular

Carro da guarda de Fazenda Rio Grande sob suspeita de uso irregular

Uma denúncia obtida pela Record News aponta o uso irregular de um carro descaracterizado da Guarda Municipal de Fazenda Rio Grande, no Paraná, inclusive para corridas por aplicativo. O caso foi encaminhado ao GAECO e ao Tribunal de Justiça do Paraná.

Uma reportagem da Record News teve acesso a uma denúncia que aponta irregularidades dentro da Guarda Municipal de Fazenda Rio Grande, no Paraná. Segundo a apuração, a corporação conseguiu recursos públicos para comprar um carro destinado aos serviços da guarda. De acordo com a denúncia, alguém de dentro da corporação propôs adquirir um veículo descaracterizado, sem símbolo nem as cores da guarda, sob a justificativa de que serviria para trabalhos de investigação, a exemplo do que fazem as polícias civil e militar.

Ainda conforme a denúncia, o mesmo guarda municipal que teria sugerido a compra do carro descaracterizado passou a utilizar o veículo para fins particulares. Ele estaria usando o automóvel para fazer compras e para levar a esposa ao trabalho, e teria sido flagrado empregando o carro da guarda para realizar corridas por aplicativo. De acordo com o relato, ele chegou a cadastrar o veículo na plataforma para fazer as viagens e obter dinheiro com o transporte.

O veículo citado, um Fiat Cronos branco registrado como patrimônio da Guarda Municipal de Fazenda Rio Grande, aparece em imagens em diversos pontos, como comércios, uma escola, um estádio de futebol e o estacionamento de um supermercado, de dia e à noite. Parte dos registros mostra o carro em ruas do bairro Estados, e outras imagens apontam o mesmo veículo sendo usado em corridas por aplicativo durante a madrugada em Curitiba, perto da rodoferroviária da capital.

Segundo a reportagem, a suspeita começou a partir de uma auditoria de rotina sobre o patrimônio da corporação. O guarda municipal responsável pela fiscalização dos bens notou que faltavam coletes balísticos no estoque. De acordo com a denúncia, 14 coletes constavam nos registros patrimoniais do município, mas não foram encontrados na corporação, além de outros produtos e equipamentos que também estariam em falta nos controles internos.

O coordenador de patrimônio, Jefferson Carlos Santos Pereira, afirma que avisou os superiores sobre o que estaria acontecendo e enviou um comunicado assinado ao secretário municipal de defesa social e mobilidade urbana. Segundo ele, as irregularidades foram negligenciadas e chegaram a dizer que ele estava procurando problemas, e relata ainda que levou o caso ao comandante da guarda, que, conforme a denúncia, teria deixado a queixa parada sem dar andamento.

Enquanto tentava cobrar explicações, o próprio servidor passou a ser investigado. De acordo com a reportagem, em dezembro de 2025 a polícia civil instaurou um inquérito depois que um suposto rastreador teria sido encontrado no Cronos branco, em uma apuração tratada como violação de sigilo funcional. Ele foi afastado da função e teve a casa alvo de busca e apreensão, com celulares, computadores e documentos recolhidos, que, segundo a defesa, guardavam registros das denúncias sobre o patrimônio.

A denúncia foi encaminhada ao GAECO e ao Tribunal de Justiça do Paraná, e o Ministério Público passou a acompanhar o que pode se tornar um dos maiores casos envolvendo a corporação no município. A versão do guarda apontado pelo uso do veículo não foi apresentada, e a administração municipal não havia divulgado um posicionamento público sobre as acusações. Os envolvidos respondem sob a presunção de inocência enquanto as investigações seguem em andamento.

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