O Brasil permaneceu fora do mapa da fome, segundo um novo relatório divulgado nesta terça-feira pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, a FAO. De acordo com o levantamento, o país registrou o menor índice de insegurança alimentar severa de toda a série histórica, resultado apresentado como um avanço importante no combate à fome.
O documento também traçou um panorama global. No mundo, o percentual de pessoas que passavam fome caiu de 8,6% em 2022, quando eram mais de 687 milhões de pessoas, para 7,8% em 2025, o que corresponde a cerca de 645 milhões. Os números indicam uma melhora no cenário internacional ao longo dos últimos anos.
Apesar da queda, o relatório aponta que desafios seguem grandes. Segundo a FAO, uma dieta saudável é hoje inacessível para cerca de 32,7% da população mundial, o que representa mais de 2 bilhões e 600 milhões de pessoas. Além disso, 25,8% vivem em situação de insegurança moderada ou grave, o equivalente a pouco mais de 2 bilhões de pessoas ao redor do mundo.
As projeções para o futuro também preocupam. O relatório estima que, em 2030, entre 510 e 520 milhões de pessoas ainda vão enfrentar a fome. Desse total, o dado considerado mais alarmante é que 56% estariam concentrados na África, o que reforça a desigualdade entre as diferentes regiões do planeta nesse indicador.
No caso brasileiro, os números apontam um quadro mais favorável. A fome crônica está abaixo de 2,5%, patamar considerado residual, enquanto a insegurança alimentar moderada ou grave atinge 9,6% da população, cerca de 20 milhões e 300 mil pessoas. É uma mudança expressiva frente a 2021 e 2022, quando o país chegou a ter 33 milhões e 100 mil pessoas no mapa da fome.
Para o ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Wellington Dias, o resultado é fruto de ações integradas que reúnem 24 ministérios, os três níveis de governo, a sociedade civil e o setor empresarial. Ele destacou programas de transferência de renda, como o Bolsa Família, a alimentação escolar, a cozinha solidária e o programa de aquisição de alimentos como pilares desse trabalho.
