A polícia realizou uma ação contra o transporte ilegal no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, e flagrou os chamados arrastadores durante a operação. O grupo atuava oferecendo corridas em carros não cadastrados a quem desembarcava no terminal. A atividade, considerada arriscada, vinha gerando uma série de reclamações de passageiros que se sentiram enganados e ameaçados.
Segundo o relato, o golpe começava logo na chegada. Quem desembarcava recebia, no saguão, um convite para entrar em um carro que aparentava ser de aplicativo, mas não era. A abordagem mirava justamente os passageiros recém-chegados, muitas vezes cansados da viagem e sem conhecer o funcionamento do transporte oficial no aeroporto.
O problema aparecia ao fim da viagem. De acordo com as denúncias, as vítimas eram surpreendidas com portas travadas e ameaças de que a bagagem não seria devolvida. O valor cobrado chegava a ser de 10, 15 e até 20 vezes maior do que o combinado inicialmente, transformando uma corrida simples em uma situação de coação.
As vítimas mais frequentes desse tipo de golpe eram mulheres, estrangeiros e idosos, justamente os perfis mais vulneráveis a esse tipo de abordagem. O volume de casos chamou a atenção das autoridades: recentemente, ao menos 30 passageiros registraram queixas relacionadas ao esquema de transporte ilegal no aeroporto.
Na ação, três pessoas foram presas, todas integrantes da mesma família. Segundo as investigações, o pai e o filho eram responsáveis pela abordagem dos passageiros e pela condução dos carros, enquanto a mãe ficaria encarregada de receber os valores cobrados. As defesas dos envolvidos não foram localizadas até a divulgação do caso.
A disputa pelo transporte no aeroporto também tem gerado tensão no local. De acordo com as informações, brigas entre taxistas cadastrados e os falsos motoristas se tornaram frequentes, e, no passado, um homem chegou a ficar gravemente ferido em um desses confrontos. O cenário expõe o conflito em torno da atuação irregular no terminal.
As imagens registradas já ajudaram a identificar parte do grupo criminoso que agia no aeroporto. Mesmo com as três prisões, outras três pessoas seguem foragidas, e as investigações continuam para localizá-las. Os presos respondem ao caso sob a presunção de inocência, enquanto a apuração busca esclarecer toda a estrutura do esquema.
