O combate ao tráfico de drogas no maior aeroporto do Brasil ganhou fôlego nesta semana com uma grande ação da Polícia Federal. As investigações expõem um problema que, segundo a reportagem, ocorre há décadas no aeroporto internacional de Guarulhos, em São Paulo, onde quadrilhas de tráfico atuam a partir de dentro do terminal.
No âmbito dessa operação, a Polícia Federal prendeu quatro trabalhadores do aeroporto. A ação mirou justamente funcionários que, de dentro das áreas de trabalho, davam suporte ao esquema de tráfico internacional, aproveitando o acesso que o cargo lhes garante em zonas sensíveis do aeroporto.
Dois dos detidos estavam com 66 quilos de cocaína em uma área restrita do aeroporto. Outros dois foram flagrados entregando 20 quilos da droga a um passageiro português, o que evidencia a conexão direta do esquema com o envio de entorpecentes para o exterior através do terminal.
As investigações mostram que os funcionários do aeroporto que trabalham para o tráfico normalmente são aliciados pelo crime organizado nos bairros onde moram. Eles chegam a receber quantias de até 15 mil reais para colocar a droga em áreas restritas ou até despachar malas com cocaína diretamente para fora do país.
De acordo com a apuração, o tráfico internacional no aeroporto de São Paulo é controlado pelo PCC. A facção traz a droga de países vizinhos e se associa com máfias do sul da Europa, formando uma rede que utiliza o aeroporto como ponto estratégico de escoamento para o mercado externo.
O contexto ajuda a explicar a pressão sobre o aeroporto. O Brasil é o segundo maior consumidor de cocaína do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos, e funciona também como país de passagem, até porque os três maiores produtores de cocaína do planeta são seus vizinhos. O aeroporto internacional de Guarulhos é uma dessas portas de saída, o que torna o trabalho de repressão, segundo as autoridades, um esforço de persistência que não pode parar.
