A morte de um empresário em São Paulo segue cercada de dúvidas e de uma longa disputa na Justiça. José Matheus foi encontrado sem vida dentro do seu carro, com um tiro na cabeça. Um detalhe chamou a atenção dos investigadores logo de início. O carro em que ele estava era blindado, o que tornou o caso ainda mais intrigante.
Antes da morte, José Matheus levava uma rotina ligada aos negócios e ao mercado. Ele também operava no mercado financeiro. Era pai de um garoto pequeno e vivia uma vida de luxo. Esse perfil acabou ganhando peso quando o caso passou a girar em torno de valores milionários.
No centro de toda a disputa está um seguro de vida de grande valor. Trata-se de um seguro de vida avaliado em 66 milhões de reais. É justamente em torno desse contrato que se desenrola a briga judicial. A definição sobre o pagamento desse valor tornou-se o ponto principal do caso.
As empresas responsáveis pelo seguro apresentaram uma versão para não efetuar o pagamento. Em processos movidos pelas seguradoras, elas alegaram que o empresário teria cometido suicídio. Segundo essa tese, um suicídio não daria direito ao recebimento do dinheiro. As operadoras dos seguros sustentam, assim, a existência de fraude por parte do falecido cliente.
A investigação policial, porém, seguiu um caminho diferente dessa versão. De acordo com o advogado da família, o suicídio foi a primeira hipótese considerada pela polícia. No entanto, meses depois da morte, a polícia descartou o suicídio. Isso porque o homem era destro, um detalhe que pesou na análise do caso.
Para a defesa da família, a postura das seguradoras é contraditória. O advogado argumenta que, se havia uma suspeita, elas não deveriam ter fechado o contrato com José Matheus. Ele sustenta que, diante de um contrato celebrado, assinado e pago, não caberia agora alegar risco agravado. A família pleiteia, então, a condenação das companhias ao pagamento.
Enquanto a briga na Justiça se estende, os valores envolvidos continuam crescendo. Segundo o advogado, o montante a ser pago já estaria em torno de 100 milhões de reais, por causa dos juros e da correção monetária. A disputa gira em torno de saber se a ex-mulher e o filho do empresário vão receber as dezenas de milhões. Em nota, a Itaú Seguros afirmou que aguarda a conclusão das investigações e que vai se manifestar diretamente nos autos do processo, reiterando seu compromisso com a proteção dos clientes e com as normas do setor.
