O ex-governador do Distrito Federal José Roberto Arruda vai continuar inelegível. A Justiça manteve a condenação por improbidade administrativa do político, proferida em setembro de 2024, no âmbito da Operação Caixa de Pandora. A decisão mantém de pé um processo que trata de desvio de dinheiro público no Distrito Federal e que volta a frustrar as pretensões eleitorais do ex-governador.
O processo específico em questão trata do contrato firmado entre a administração pública e a empresa Call Tecnologia e Serviços, que atua no atendimento de call center. De acordo com os dados do caso, entre 2006 e 2009 a empresa recebeu mais de 66 milhões de reais do executivo, valores que estão no centro da apuração sobre a conduta do então governo.
Segundo o Ministério Público, parte desse montante repassado à empresa foi posteriormente direcionada ao então governador na forma de propina. Esse desvio é o eixo central da acusação que sustentou a condenação por improbidade administrativa, ao apontar o uso indevido de recursos públicos em benefício pessoal.
Além de José Roberto Arruda, a Justiça também condenou outras pessoas envolvidas no esquema. Entre os condenados estão José Geraldo Maciel e o proprietário da empresa, José Celso Gontijo, que respondem pelo mesmo processo relacionado ao contrato firmado com a administração pública do Distrito Federal.
A sentença vai além da declaração de inelegibilidade e impõe sanções financeiras e administrativas. Ela inclui o pagamento de 257 mil reais para reparação do dano, uma multa civil no mesmo valor e a proibição de contratações com o poder público, medidas que buscam ressarcir os cofres públicos e impedir novos vínculos comerciais com o Estado.
No campo político, a Justiça suspendeu por 12 anos os direitos políticos do ex-governador. A medida é especialmente significativa porque Arruda pretendia retornar ao Palácio do Buriti, sede do governo do Distrito Federal, disputando as eleições deste ano. Com a manutenção da condenação, esse caminho permanece bloqueado.
Em vídeo publicado nas redes sociais, o ex-governador reagiu à decisão. José Roberto Arruda afirmou que a condenação ocorre porque estariam requentando assuntos antigos por causa da sua pré-candidatura ao governo do DF, e sustentou que está apto a concorrer às eleições. A declaração contrasta com a decisão judicial, que reafirma a sua inelegibilidade.
