O caso da morte da soldado da Polícia Militar paulista Gisele voltou ao centro das atenções com o avanço do julgamento em que o marido dela, o tenente coronel Geraldo Leite Rosa Neto, responde pela acusação de feminicídio. Segundo as investigações, Gisele foi assassinada pelo próprio marido, e o processo passou a reunir os depoimentos que devem sustentar a análise da Justiça sobre o que aconteceu.
A apuração conduzida pelas autoridades aponta o oficial como responsável pela morte da esposa, também integrante da corporação. O fato de a vítima e o acusado pertencerem à mesma instituição deu ao caso grande repercussão, sobretudo pela gravidade da acusação de feminicídio dentro de um relacionamento marcado, segundo os relatos, por conflitos.
Na fase de instrução, o julgamento reuniu um conjunto extenso de provas testemunhais. De acordo com o noticiário, foram quatro dias de audiência e 30 testemunhas ouvidas no Fórum Criminal. Esse volume de depoimentos reflete a complexidade do processo e a intenção da Justiça de reconstituir, com o maior número possível de relatos, as circunstâncias que cercaram a morte de Gisele.
Um dos momentos mais delicados do processo envolveu o depoimento da filha da vítima, de sete anos. A criança foi ouvida em uma sala diferente, preparada especialmente para o depoimento infantil, em um formato que busca reduzir o impacto do relato sobre a menina. Nesse ambiente protegido, ela descreveu situações de violência psicológica e afirmou que sentia medo do padrasto.
Ainda segundo o relato, a menina contou que presenciava muitas brigas em casa e que, assustada, corria para o quarto quando as discussões aconteciam. O depoimento da criança, colhido com os cuidados previstos para esse tipo de situação, passou a integrar o material que a Justiça vai considerar ao longo do julgamento, preservando a identidade da menor.
Entre os demais relatos, um policial militar declarou ter estranhado o comportamento do tenente coronel Geraldo Leite Rosa Neto. Segundo esse depoimento, o oficial teria causado estranheza por não mencionar que teria feito os primeiros socorros, em uma tentativa de reanimação, um ponto que passou a ser observado dentro da apuração sobre a conduta do acusado após a morte da esposa.
A defesa de Rosa Neto não quis se manifestar sobre o andamento do processo. O acusado segue preso, e o interrogatório foi adiado para agosto, o que indica que o desfecho do julgamento ainda depende de novas etapas. Até uma eventual decisão da Justiça, o tenente coronel é preservado pela presunção de inocência, enquanto o caso permanece sob acompanhamento das autoridades.
