O julgamento dos três policiais acusados de envolvimento na morte de Vinícius Gritzbach foi cancelado logo no primeiro dia. A sessão, que tinha grande expectativa por se tratar de um caso de repercussão, não chegou a avançar e precisará ser reiniciada com um novo júri, em data ainda não definida. O recomeço do processo adia, mais uma vez, a chegada de um desfecho para o crime.
Gritzbach é apontado como delator do PCC e foi morto em um episódio que chocou pela ousadia. Ele havia denunciado esquemas de lavagem de dinheiro ligados à facção e foi assassinado em novembro de 2024, ao desembarcar no aeroporto de Cumbica, em Guarulhos, retornando de uma viagem a Alagoas. O caso passou a ser tratado como um dos mais sensíveis envolvendo a segurança em São Paulo.
O julgamento havia começado um ano e sete meses depois do crime, mas terminou interrompido em meio à tensão. Segundo o relato, a sessão foi cancelada após um desentendimento, com direito a gritaria, com os advogados, no Tribunal do Júri do Fórum Criminal de Guarulhos. O clima de confronto inviabilizou a continuidade dos trabalhos naquele dia.
A consequência imediata do cancelamento recai sobre as provas já produzidas na sessão. Com a confusão, os depoimentos das testemunhas ouvidas nesta segunda-feira serão desconsiderados. Na prática, tudo o que foi colhido até a interrupção perde validade para o processo, o que reforça a necessidade de um novo julgamento do zero.
No mérito, a acusação aponta a participação direta dos réus no assassinato. Três policiais são acusados pelo Ministério Público de São Paulo de envolvimento direto na morte de Gritzbach. Além disso, os réus também respondem pela morte do motorista de aplicativo Celso de Novaes, atingido durante o ataque que vitimou o delator no aeroporto.
Após a interrupção, a defesa registrou queixas sobre a condução da sessão. Em nota, os advogados denunciam ofensas durante o julgamento. Com o cancelamento, o processo terá de ser reiniciado com um novo júri, em data ainda não definida, mantendo em aberto um dos casos mais acompanhados da Justiça paulista nos últimos meses.
