Uma viagem que deveria ser uma comemoração se transformou em um drama de saúde e em uma corrida contra o tempo para uma família de Brasília. Segundo o relato, Júlio César, professor e técnico de tênis na capital federal, viajou à França com a esposa para celebrar o aniversário de casamento e, durante a estada, acabou descobrindo uma doença autoimune que o levou à internação e, dias depois, à unidade de terapia intensiva.
O diagnóstico apanhou todos de surpresa. De acordo com o relato, Júlio César foi acometido por uma pneumocistose, uma doença autoimune que compromete os pulmões, e precisou ser internado. Já são mais de 40 dias no hospital, dos quais mais de 20 na UTI, um quadro que, segundo a esposa, se agrava a cada dia que passa e transformou a viagem em uma longa permanência em ambiente hospitalar.
A família afirma que nada indicava um problema desse tipo. Segundo o relato, a esposa conta que nunca souberam de nenhuma doença antes disso e que o seguro viagem, contratado para o passeio, negou o apoio no primeiro momento alegando tratar-se de uma condição pré-existente. Para a família, porém, não havia pré-existência, já que a enfermidade só foi identificada depois de uma bateria de exames feita na França.
Com o passar dos dias, o cenário médico se tornou ainda mais delicado. De acordo com o relato, os médicos franceses avaliaram que Júlio César precisa passar por um transplante de pulmão. Para trazê-lo de volta ao Brasil em uma UTI aérea, com suporte médico e de equipamentos, o custo estimado é de 265 mil dólares, cerca de 1 milhão e 300 mil reais, uma quantia muito acima do que a família tem condições de arcar sozinha.
O valor tornou-se o principal obstáculo para o retorno. Segundo o relato, o seguro viagem só cobre o translado até 100 mil dólares. Na Justiça, a família conseguiu mais 100 mil dólares para o chamado regresso sanitário e agora luta para reunir o restante do dinheiro necessário, já que a soma disponível ainda fica distante do total exigido para viabilizar o transporte em segurança.
Muito conhecido no meio esportivo de Brasília, Júlio César é lembrado pelo trabalho com o tênis adaptado. De acordo com o relato, ele é um dos poucos professores dedicados ao tênis em cadeira de rodas, tendo inclusive uma aluna campeã mundial da modalidade nos Estados Unidos. Colegas o descrevem como um excelente profissional, o que reforça, entre alunos e parceiros de quadra, o peso da ausência dele neste momento.
Enquanto a mobilização por recursos continua, o poder público passou a acompanhar o caso. Segundo o relato, o Itamaraty informou que, por meio do consulado geral em Paris, acompanha a situação e presta assistência ao brasileiro hospitalizado, inclusive com visitas. A esposa, Leiuza, diz que, além do dinheiro, é preciso controlar a infecção e estabilizar o estado de saúde dele antes de enfrentar tantas horas de voo na UTI aérea até o Brasil.
