O sonho de uma casa de praia terminou em prejuízo para um casal da capital paulista. Lucilda e o marido planejavam esse objetivo havia muito tempo. Para realizá-lo, eles juntaram economias durante a vida inteira. A busca pela casa ideal acabou levando o casal para a internet.
Foi justamente em um anúncio on-line que eles encontraram o imóvel desejado. O negócio avançou e o pagamento foi feito pelo casal. No entanto, um detalhe chamou a atenção logo depois. Assim que o dinheiro caiu na conta, o suposto vendedor e a corretora sumiram e bloquearam o casal.
Com o desaparecimento dos responsáveis pela venda, o casal percebeu que havia sido enganado. O prejuízo declarado foi de 80 mil reais. O valor representava parte do esforço acumulado ao longo de anos de trabalho. Diante da perda, Lucilda e o marido decidiram buscar respostas sobre o que havia acontecido.
Para entender o caso, o casal recorreu à análise técnica da documentação. Eles encaminharam os documentos da casa para um perito digital. O especialista confirmou que tudo era falso. Segundo a análise, o documento era visualmente indistinguível do original, e a diferença só aparecia em uma análise forense.
A apuração revelou o nível de sofisticação do golpe aplicado. O ponto central era o documento base, identificado como a matrícula 6768, que realmente existe. Os criminosos teriam pegado os dados de um documento público verdadeiro e criado um novo. Nesse documento forjado, eles incluíram inclusive o histórico de proprietários e os dados da persona usada no golpe.
Outro detalhe do caso seguiu intrigando as vítimas. Quando o negócio foi fechado, o suposto proprietário entregou uma chave para o casal. A chave seria usada para abrir um cadeado do lado de fora da casa. Para surpresa do casal, porém, aquela chave não abria nada no imóvel.
Diante de tudo isso, surgiu a suspeita de que o golpe não seria um caso isolado. Há indícios de que esse tipo de fraude seja aplicado por uma quadrilha especializada, que estaria fazendo várias vítimas no litoral de São Paulo. A reportagem tentou contato com a suposta corretora e com o homem que se passou por vendedor, mas não houve resposta. O verdadeiro dono do imóvel também foi procurado e, segundo Lucilda, ele negou que a casa estivesse à venda.
