Duas mulheres foram presas no Rio de Janeiro, acusadas de participar de um esquema de abortos ilegais combinados por aplicativos de mensagens. Segundo a policia, o grupo orientava as clientes a distancia, indicando como provocar o aborto sem qualquer acompanhamento medico, o que motivou a atuacao das autoridades e a prisao das suspeitas em cidades diferentes da regiao.
De acordo com as investigacoes, todo o esquema era negociado livremente nas conversas dos aplicativos de mensagens. As suspeitas utilizavam uma tabela que indicava a quantidade de comprimidos necessaria para causar o aborto, variando conforme o tempo de gestacao. Alem das instrucoes escritas, as clientes tambem eram orientadas por meio de mensagens de audio ao longo do processo.
Um ponto que chamou a atencao dos investigadores foi a total falta de preparo das envolvidas. Segundo a apuracao, as mulheres nao tinham formacao em medicina, em enfermagem ou qualquer conhecimento tecnico sobre o procedimento. Mesmo assim, passavam orientacoes de dosagem as clientes, indicando quantos comprimidos deveriam ser tomados em cada etapa.
Entre as presas esta Priscila Monteiro de Souza, de 43 anos, apontada pela policia como a chefe da quadrilha. Ela foi detida em Marica, na regiao metropolitana do Rio. Ja Nayara Pereira Silva, de 36 anos, foi presa em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, e seria a responsavel por manter o contato direto com as clientes que procuravam o esquema.
Alem do exercicio ilegal da medicina, a policia e o Ministerio Publico apuram um possivel esquema interestadual de lavagem de dinheiro ligado a quadrilha. A investigacao busca entender como os valores movimentados pelo grupo eram organizados e se havia uma estrutura financeira montada para dar aparencia legal ao dinheiro obtido com a atividade ilegal.
As apuracoes tambem mostraram que a quadrilha tinha ramificacoes fora do Rio de Janeiro, com atuacao identificada em Sao Paulo e em Brasilia. Com as suspeitas, os policiais encontraram celulares, maquinas de cartao e remedios de uso restrito, que, segundo a investigacao, podem ter sido desviados de hospitais para abastecer o esquema.
Ate o momento, as defesas das suspeitas nao foram localizadas. A policia segue com as investigacoes para identificar outras pessoas que possam estar envolvidas no esquema, mapear as clientes atendidas e esclarecer a origem dos medicamentos apreendidos, alem de aprofundar a apuracao sobre a possivel lavagem de dinheiro ligada a quadrilha.
