Um relatório do Ministério da Justiça identificou 84 brasileiros em situação de trabalho forçado no exterior em 2025. O levantamento expõe um problema que muitas vezes acontece longe do alcance das autoridades e que tem levado brasileiros a redes de golpes montadas em outros países, do outro lado do mundo.
Um dos casos mais recentes envolve 28 brasileiros que se diziam vítimas de tráfico humano e que acabaram presos pela polícia do Laos, no Sudeste Asiático. Segundo as informações divulgadas, essas pessoas trabalhavam em centrais telefônicas e praticavam golpes a partir desses locais, dentro do esquema em que estavam inseridas.
Situação semelhante já havia sido encontrada em outra operação, realizada no Camboja no começo deste ano. Naquele caso, os envolvidos se disfarçavam de policiais e usavam inteligência artificial para aplicar golpes em pessoas no Brasil, dando mais credibilidade às abordagens feitas às vítimas.
Um dos aspectos mais difíceis desse tipo de esquema é a distância. Muitas famílias no Brasil não têm informações sobre o paradeiro dos parentes que estão do outro lado do mundo. A dificuldade de contato e a distância tornam ainda mais complicado saber onde essas pessoas estão e como elas poderiam ser ajudadas.
Um exemplo é o de uma brasileira cujo filho foi transferido para Madagascar, na África. Segundo ela, o rapaz não tem dinheiro para voltar para casa. "Se eu tivesse dinheiro, já teria comprado essa passagem. Eu estou movendo o céu e a terra para tentar trazer o meu filho de volta", afirmou a mãe, que tenta localizá-lo.
O Itamaraty informou, em nota, que acompanha o caso. Famílias e autoridades brasileiras vêm tentando localizar e trazer de volta parentes atraídos para o exterior e mantidos em centrais de golpes em diferentes países, em uma rede que, segundo os relatos, vai da Ásia à África.
