O Ministerio da Justica e Seguranca Publica pediu a investigacao de plataformas usadas para criar imagens de nudez falsa a partir de fotos reais, segundo a Record News. Ao todo, foram 32 plataformas suspeitas de permitir que fotos de pessoas vestidas sejam alteradas com inteligencia artificial para deixa-las sem roupa. A medida coloca no centro das atencoes um tipo de crime digital que usa a tecnologia para expor vitimas sem o seu consentimento.
O funcionamento dessas ferramentas ajuda a explicar a gravidade do problema. De acordo com a reportagem, com alguns comandos, uma imagem tem a roupa trocada por meio da inteligencia artificial. A facilidade de acessar as plataformas e de usar imagens de pessoas reais para gerar uma versao de falsa nudez e justamente o que torna esse tipo de crime tao preocupante e de rapida disseminacao.
Do ponto de vista tecnico, a IA nao faz distincao entre uma pessoa vestida e uma pessoa nua. Segundo um especialista ouvido pela reportagem, a ferramenta recebe uma fotografia e preserva as caracteristicas daquela imagem, como cabelo, cenario e postura, e entao cria as partes que estao cobertas pela roupa. O resultado e uma imagem manipulada que aparenta ser real, mesmo sem nunca ter existido.
O alcance desse tipo de plataforma e outro ponto de destaque. De acordo com a Record News, esses portais receberam uma media de 40 milhoes de visitantes por mes. O numero indica o tamanho da demanda por essas ferramentas e ajuda a dimensionar quantas imagens podem estar sendo geradas e distribuidas, muitas vezes sem que as vitimas saibam que suas fotos foram usadas.
Os dados de vitimas reforcam a dimensao do problema no pais. Segundo a reportagem, so em Sao Paulo quase 2 mil pessoas foram vitimas desse tipo de crime em um ano e meio. O nucleo da policia de Sao Paulo voltado a crimes digitais tem registro de 1.800 vitimas de crimes com imagens de nudez no periodo entre dezembro de 2024 e julho deste ano, o que mostra a frequencia dos casos.
Diante desse cenario, a resposta partiu do governo federal. De acordo com a Record News, o Ministerio da Justica e Seguranca Publica ja pediu a investigacao das 32 plataformas suspeitas de promover a chamada nudificacao. A iniciativa busca identificar e responsabilizar os servicos que oferecem essas ferramentas, tratando a pratica como um crime e nao como um simples uso de tecnologia.
O caso se soma a um debate mais amplo sobre os limites do uso da inteligencia artificial. Ao mirar plataformas que transformam fotos comuns em imagens de falsa nudez, a investigacao coloca em evidencia como a mesma tecnologia que facilita tarefas do dia a dia pode ser usada para expor e constranger pessoas reais. O pedido de apuracao surge, assim, como uma tentativa de conter um crime que se espalha com rapidez na internet.
