Uma mulher identificada como Jéssica conseguiu impedir uma tentativa de estupro depois que um homem invadiu o seu apartamento, em São Paulo, recorrendo ao próprio treino em artes marciais para dominar o agressor até a chegada de ajuda. O caso ganhou repercussão pela forma como a vítima reagiu, e também pelo histórico do suspeito, identificado como Wellington, que carrega uma extensa ficha criminal.
Imagens do circuito de segurança mostram o momento em que Wellington sobe direto para o 18º andar do prédio. No corredor, ele para em frente à saída de emergência e observa o ambiente, depois passa por várias portas, segue até o fim do corredor e entra sem dificuldade no apartamento onde Jéssica estava.
Segundo o relato da própria vítima, ela percebeu a presença do invasor e, em um primeiro momento, fechou os olhos fingindo que dormia. Quando ele se aproximou, ela partiu para cima dele, mas o agressor subiu sobre a mulher e começou a puxar as suas roupas. Jéssica chegou a correr, mas foi puxada pelo pé e derrubada de volta.
Foi então que a vítima conseguiu reagir. Ela contou que imobilizou o homem com as pernas, tentou aplicar um mata-leão e trocou socos com ele durante a luta. No momento em que o agressor achou que tinha dominado a situação, Jéssica soltou as pernas e o empurrou com os dois pés, conseguindo escapar para o corredor, onde passou a gritar e bater nas portas dos vizinhos.
Mesmo com todo o barulho, ninguém apareceu de imediato para socorrê-la, e Wellington voltou a persegui-la. A vítima relatou que apenas pedia para que ele não a tocasse. Somente quando uma vizinha abriu a porta e foi para cima do agressor junto com Jéssica é que outros moradores apareceram e acionaram a Guarda Civil Metropolitana.
De acordo com a reportagem, Jéssica é uma exceção justamente porque treinou durante muitos anos a arte da defesa por meio de esportes de luta, como jiu-jitsu, muay thai e boxe. Foi esse preparo que permitiu que ela enfrentasse fisicamente o invasor e evitasse que o crime se concretizasse, em uma situação em que a maioria das vítimas não teria como reagir.
A ficha criminal de Wellington inclui registros de violência doméstica, lesão corporal, roubo e furto, além de uma condenação por estupro em 2015, pela qual foi sentenciado a 11 anos de prisão. Ele cumpriu parte da pena, foi solto em 2021 e estava em liberdade condicional quando invadiu o apartamento. Agora vai responder por tentativa de estupro, lesão corporal e violação de domicílio, e a advogada da vítima pretende incluir o crime de tentativa de feminicídio. A administração do condomínio não comentou a falha de segurança, mas manifestou solidariedade à vítima.
