LIVE PROTOCOL
EET--:--:-- edition--.--.--

Mulheres ganham espaço no crime organizado e na lista de procurados

Mulheres ganham espaço no crime organizado e na lista de procurados

A participação de mulheres em facções e crimes graves vem crescendo no Brasil. Embora ainda minoria, elas já aparecem na lista de 184 procurados do governo federal, algumas foragidas há mais de um ano, ocupando até cargos de liderança em organizações criminosas, segundo a polícia.

A presença de mulheres no comando e na execução de crimes graves vem se tornando cada vez mais visível no Brasil. Ainda são minoria diante dos homens, mas a participação feminina em facções e em diferentes tipos de crime, de pequena a grande repercussão, cresce de norte a sul do país, muitas vezes amparada por um perfil que chama menos a atenção das autoridades.

Esse avanço aparece de forma clara na relação de foragidos da Justiça. O Brasil tem hoje uma lista de 184 criminosos procurados, divulgada no site do governo federal, e, historicamente, são os homens que estampam a primeira página dessa seção. Basta procurar por alguns instantes, no entanto, para encontrar mulheres que já estão foragidas há mais de um ano.

Entre os casos de maior tempo na lista está o de Maritza Ingrid da Silva Rodrigues, de 24 anos, conhecida como Jenny Rapunzel e Mari Bomba. Segundo a polícia, ela está foragida desde 2024 por liderar o tráfico de drogas ao lado de outras duas pessoas na cidade de Sorriso, no Mato Grosso, após a prisão de seu companheiro, e também é apontada por envolvimento com o chamado Tribunal do Crime.

A lista reúne outros nomes apontados pelas autoridades. Yasmin Lohane Oliveira Santos, também de 24 anos, é procurada por associação ao tráfico de drogas no Tocantins, depois de ser denunciada pelo Ministério Público. Já Angélica Saraiva de Sá, de 34 anos, conhecida como Angeliquinha, é descrita pela polícia como uma das chefes de uma organização criminosa e foi condenada a 99 anos e 11 meses de prisão pela morte de quatro trabalhadores na região de Cuiabá.

O perfil das procuradas se completa com mais duas mulheres. Carolina Gomes de Brito, de 38 anos, conhecida por apelidos como DBX, Catleia e Debochada, é procurada por liderar uma das principais facções criminosas, enquanto Deusirene Cardoso da Silva, de 52 anos, foi denunciada por suposta omissão diante de abuso sexual cometido pelo companheiro contra uma menina, em Roraima, além de responder por tráfico de drogas.

Para especialistas, o que mais impressiona não é apenas o aumento do número de mulheres na criminalidade, mas os cargos que passam a ocupar. Com um perfil estratégico e posições de liderança e confiança, elas conseguem ganhar espaço dentro do crime organizado e, ao mesmo tempo, despistar a polícia, permanecendo por longos períodos apenas na lista de procuradas e distantes da prisão.

A entrada nesse universo, segundo a análise apresentada, costuma vir acompanhada de promessas e facilidades. O crime organizado oferece às mulheres o envolvimento com o tráfico, por vezes no papel de mula, com a expectativa de que, se forem presas, possam ser beneficiadas com a prisão domiciliar em diferentes fases do processo. É uma aparente liberdade que, na prática, se transforma em uma espécie de prisão sem grades.

Loading article...