Uma grande operação policial foi deflagrada no Brasil para desarticular uma organização suspeita de praticar caça ilegal de animais silvestres e o comércio clandestino de armas de fogo. A ação reuniu dezenas de mandados cumpridos de forma simultânea em três estados. Segundo as autoridades, o grupo combinava a atividade de caça com a venda irregular de armamentos.
Ao todo, foram expedidos 63 mandados, sendo 31 de prisão e 32 de busca e apreensão, distribuídos pelo Paraná, por Santa Catarina e pelo Mato Grosso. Em Santa Catarina, as diligências ocorreram nas cidades de Rio dos Cedros, Brusque e Itajaí. As ordens judiciais foram autorizadas e cumpridas pelas equipes ao longo da manhã.
Em um dos endereços, a polícia encontrou cães de caça que estavam sem comida e em situação de estresse. De acordo com os investigadores, os animais eram privados de alimentação antes das caçadas para que perseguissem as presas com mais agressividade. Os cães eram mantidos presos, muitas vezes acorrentados, e sem qualquer atendimento veterinário.
Durante as buscas, os agentes também localizaram restos de animais exóticos que, segundo a apuração, eram usados como troféus pelo grupo. O material reforça a suspeita de que a caça era praticada de forma sistemática. As equipes recolheram armas de fogo, armadilhas e outros petrechos utilizados na atividade ilegal.
As investigações começaram em julho do ano passado, após uma denúncia anônima apontar a existência de um grupo de mensagens usado para a comercialização de armas. Durante as apurações, os policiais descobriram que o mesmo canal também servia para exibir imagens e vídeos de animais silvestres abatidos ilegalmente. Foi a partir desse cruzamento de informações que a operação tomou forma.
As autoridades lembram que a caça ilegal é considerada crime ambiental e representa uma grave ameaça à biodiversidade brasileira. Além de reduzir a população de espécies nativas, a prática provoca desequilíbrio ambiental e coloca em risco a conservação da fauna. O comércio clandestino de armas, por sua vez, agrava o risco de violência associado ao grupo.
A operação segue em andamento e tem como principal objetivo interromper o comércio ilegal de armas e combater a caça de animais silvestres. Segundo a polícia, novas prisões e apreensões não estão descartadas ao longo dos próximos dias. O foco, afirmam os agentes, é desmontar toda a estrutura do grupo e identificar outros possíveis envolvidos.
