A operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal, avançou para uma nova fase que teve como alvo o senador Jacques Wagner, líder do governo no Senado. Foram cumpridos 18 mandados de busca e apreensão em Brasília, São Paulo e Salvador, em uma ação autorizada pelo ministro André Mendonça, relator do caso do Banco Master no Supremo Tribunal Federal. O passo colocou um aliado próximo do governo no centro das atenções políticas e jurídicas.
Segundo as informações divulgadas, no quarto de hotel ocupado pelo senador em Brasília os agentes encontraram cerca de 49 mil dólares em espécie, o equivalente a aproximadamente 253 mil reais, além de 13 relógios de luxo. Na casa do senador, em Salvador, foram apreendidos dois celulares e cerca de 330 mil reais, em uma soma que reunia euros, dólares e reais. O material recolhido passou a integrar a apuração conduzida pelas autoridades.
Outro alvo da operação é o empresário Augusto Lima, apontado como ex-sócio de Daniel Vorcaro e ex-dono do Banco Pleno, que foi liquidado pelo Banco Central em fevereiro. As buscas também alcançaram, em Brasília, a casa da esposa do empresário, Flávia Pérez, ex-deputada federal e ex-ministra, e, em Salvador, um instituto presidido por ela. Com isso, a apuração passou a tratar de relações entre o setor privado e figuras públicas.
De acordo com a Polícia Federal, um apartamento de alto padrão em Salvador, avaliado em quase 2,5 milhões de reais, teria sido negociado entre Augusto Lima e Jacques Wagner. Os investigadores apontam ainda que um enteado do senador teria cobrado dinheiro do empresário, segundo uma transcrição que consta no documento, e que uma empresa da família teria recebido cerca de 3,5 milhões de reais. A corporação também investiga se o senador atuou em favor do Banco Master no Congresso.
Em nota, Jacques Wagner afirmou que não é réu e que não foi denunciado nem acusado em nenhum processo relacionado ao caso. O senador sustentou que o apartamento de luxo jamais integrou o seu patrimônio e que os valores em espécie apreendidos são diárias legais, declaradas, que não foram utilizadas em missões internacionais oficiais. A defesa reforçou o direito à presunção de inocência enquanto não houver decisão definitiva.
A operação repercutiu entre aliados e adversários ao longo do dia. O presidente do Congresso, Davi Alcolumbre, afirmou que ninguém pode ser condenado antes do trânsito em julgado e lembrou a presunção de inocência. O líder da oposição no Senado defendeu mais apurações, enquanto o presidente nacional do PT, Edinho Silva, disse confiar que o senador esclarecerá os fatos e comprovará a sua inocência. A defesa de Augusto Lima classificou a ação como desnecessária.
A nova fase também reacendeu a pressão política em torno do caso do Banco Master, com senadores da oposição voltando a cobrar a instalação de uma CPI. Interlocutores do governo admitem que o episódio tem potencial para ampliar o desgaste do senador, mas afirmam que uma troca na liderança não está em discussão e que o momento exige cautela. O caso segue em apuração, e os próximos passos dependem do avanço das investigações conduzidas pela Polícia Federal.
