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Operação Juro Zero mira descontos na folha de servidores do DF

Operação Juro Zero mira descontos na folha de servidores do DF

O Ministério Público do Distrito Federal deflagrou a Operação Juro Zero para investigar um suposto esquema de descontos irregulares na folha de servidores e aposentados do DF. O Banco de Brasília foi um dos alvos e a Justiça bloqueou cerca de 90 milhões de reais.

O Ministério Público do Distrito Federal deflagrou nesta sexta-feira a Operação Juro Zero, voltada a investigar um suposto esquema de descontos irregulares na folha de pagamento de servidores e aposentados do Distrito Federal. Segundo o órgão, o esquema teria começado em agosto de 2024 e envolveria tanto organizações públicas quanto privadas. A apuração busca esclarecer como cobranças consideradas indevidas passaram a incidir sobre os salários dos servidores.

De acordo com a investigação, um decreto do Distrito Federal de 2024 permitiu que servidores fizessem empréstimos sem juros, com desconto direto na folha de pagamento, em uma espécie de crédito consignado. Pouco tempo depois, no entanto, os empréstimos passaram a ser geridos por uma instituição financeira digital. Foi a partir desse ponto, segundo o Ministério Público, que as taxas começaram a ser cobradas de forma ilegal dos trabalhadores.

Para apurar o caso, foram expedidos 50 mandados de busca e apreensão, cumpridos no Distrito Federal, em São Paulo e em Curitiba. Na capital federal, equipes da Polícia Civil estiveram na sede do Banco de Brasília, o BRB, apontado como um dos principais alvos da operação. A ação reuniu diferentes órgãos e empresas ligados, de alguma forma, ao funcionamento do sistema de descontos.

Entre os alvos das buscas estão o Banco de Brasília, a Secretaria de Economia do DF, o Instituto de Previdência dos Servidores do Distrito Federal, o banco digital PicPay, a Associação de Servidores do Distrito Federal e a Secretaria de Saúde. A diversidade de instituições atingidas indica a amplitude do esquema que está sendo investigado pelo Ministério Público.

Entre as pessoas investigadas estão o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, que já se encontra preso por suposto envolvimento em fraudes relacionadas ao Banco Master, e o ex-secretário de Economia do Distrito Federal, Ney Ferraz Jr. Os dois respondem à investigação sob a presunção de inocência, e a apuração ainda busca delimitar o papel de cada um no suposto esquema.

Como parte da operação, a Justiça do Distrito Federal determinou o bloqueio de quase 90 milhões de reais em contas ligadas ao suposto esquema. A medida tem como objetivo evitar a dissipação dos valores enquanto a investigação avança. As autoridades reforçaram que se trata, neste momento, de mandados de busca e apreensão, e que os trabalhos seguem em andamento.

Procuradas, as instituições começaram a se manifestar. Em nota, o PicPay afirmou que não reconhece qualquer irregularidade em suas operações e negou as cobranças indevidas nas folhas de pagamento. Já a Secretaria de Economia do Distrito Federal informou que está colaborando com as autoridades e destacou que a investigação tem como objeto a conduta de servidores públicos, e não a atuação institucional da pasta.

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