Trinta e dois trabalhadores foram resgatados de uma situação análoga à escravidão durante a colheita de café em uma fazenda localizada em uma zona rural de Minas Gerais. O caso volta a expor a persistência do trabalho em condições degradantes no campo, mesmo em uma das principais atividades agrícolas do país, a produção de café.
A ação de resgate foi realizada por auditores fiscais do trabalho no município de Perdizes, na região do Alto Paranaíba, em Minas Gerais. A fiscalização identificou o grupo de trabalhadores enquanto eles atuavam na colheita manual do café, atividade que exige esforço físico intenso e longas horas de exposição ao sol e às condições do campo.
De acordo com os auditores responsáveis pela operação, os trabalhadores atuavam sem registro em carteira, ou seja, sem o vínculo formal que garante direitos trabalhistas básicos. Além disso, eram submetidos a longas jornadas e mantidos sem as condições mínimas de saúde, segurança e dignidade exigidas pela legislação para o trabalho no meio rural.
Entre as irregularidades encontradas pela fiscalização estava a falta de acesso à água potável, item essencial para quem trabalha exposto ao calor durante a colheita. Também foi constatada a ausência de banheiros e de locais adequados para que os trabalhadores pudessem fazer suas refeições e descansar ao longo da jornada.
Os auditores relataram ainda a falta de oferta de equipamentos de proteção individual, necessários para reduzir os riscos da atividade, além da ausência de materiais de primeiros socorros e de medidas voltadas à prevenção de riscos no trabalho. O conjunto dessas condições caracteriza a situação como análoga à de escravidão, segundo a fiscalização.
A colheita de café emprega um grande número de trabalhadores em Minas Gerais, um dos maiores produtores do país. Casos como o de Perdizes reforçam a atenção dos órgãos de fiscalização sobre as condições oferecidas nas fazendas, especialmente durante os períodos de safra, quando aumenta a demanda por mão de obra para o trabalho no campo.
As investigações sobre o caso continuam, com o objetivo de apurar plenamente as responsabilidades pelas condições encontradas na fazenda e garantir os direitos dos trabalhadores resgatados. A atuação dos auditores fiscais do trabalho é o principal instrumento usado no país para identificar e combater o trabalho em condições análogas à escravidão.
