Uma quadrilha especializada em roubo de carga foi alvo de uma operacao da policia no Brasil. Segundo a investigacao, o grupo atuava em parceria com caminhoneiros e chegava a fingir assaltos no meio da estrada, para depois dividir os lucros das cargas levadas. O esquema, que parecia desordenado nas imagens, mostrou na pratica uma estrutura bem orquestrada montada pelos criminosos.
Um dos casos aconteceu na rodovia Regis Bittencourt, onde um carro branco ultrapassou e fechou um caminhao. O motorista freou, os ocupantes do veiculo abriram a porta e mandaram o caminhoneiro parar. Os criminosos desembarcaram armados e chegaram a disparar contra o para-brisa, mas, desta vez, o motorista da carreta conseguiu acelerar e escapar da abordagem na estrada.
Em outra acao, com o mesmo modo de agir, o caminhoneiro nao teve a mesma sorte. O bando cercou o caminhao, o motorista parou e se rendeu, e dois criminosos armados e de balaclava invadiram a cabine, obrigando o condutor a seguir viagem. Quando os assaltantes assumiam o controle, as cameras do veiculo eram desligadas, e o grupo acabou fazendo varias vitimas nas rodovias.
De acordo com a apuracao, o esquema movimentou milhoes de reais e contava com um grande arsenal de guerra, alem de bloqueadores de GPS e de celulares. A policia identificou tres niveis de participacao dos proprios caminhoneiros: os que eram coagidos, os que passavam informacoes privilegiadas e os responsaveis pelo transbordo da carga roubada para outros veiculos.
Entre os presos esta Jose, que alegou ter sido assaltado pela quadrilha, mas que, segundo a investigacao, participava do grupo. Quando a policia rendeu Diego, apontado como lider do bando, encontrou com ele a CNH e um chip telefonico que pertenciam ao caminhoneiro. Os detalhes ajudaram a ligar os envolvidos ao funcionamento do esquema de roubo de cargas.
Os chamados piratas do asfalto tambem contavam com a ajuda de outro motorista, Jean Gabriel Marques, dono de uma van que transportava eletronicos. Para quitar uma divida com o grupo, ele teria entregado o conteudo transportado e a localizacao para os criminosos. Foi o agenciador do transporte quem acabou descobrindo o esquema por tras daquele roubo.
Para obrigar os caminhoes pesados a pararem, a quadrilha chegava a atravessar outros caminhoes na pista com o pisca-alerta ligado, simulando um acidente. Os motoristas eram jogados na cama da cabine ou no porta-malas de carros de apoio, enquanto os assaltantes assumiam o volante ate estradas vicinais e chacaras para o transbordo rapido. A policia agora apura se o grupo tem ligacao com um acidente ocorrido durante uma fuga na BR-116, que terminou com a morte de seis pessoas em janeiro deste ano.
